1. O mundo anda perigoso. O nosso país mostra misérias que de alguma forma todos vínhamos adivinhando. Até parece que o nosso país serve muito bem para todos os trânsitos, incluindo as mais sórdidas mafias, o branqueamento incompreensível da Guiné Equatorial e a sua claque sanguinária de governantes sem escrúpulos. O tráfico de seres humanos foi denunciado pelo Relatório do Observatório do Tráfico de Seres Humanos que apontava para a possível existência de vários casos de tráfico de pessoas em Portugal, aliás, o nosso país está a ser utilizado como plataforma de tráfico de seres humanos. 2. As trafulhices e falcatruas do Banco Espírito Santo, que implica uma família de renome deste país, pode ser mais um BPN, a custar aos pobres deste vergastado país mais pobreza e mais miséria, suor, lágrimas e fome, muita fome, a diminuição da população e a deportação dos que sobrarem, porque parece que este país não é para pessoas. Ali estão aldrabices que as ditas elites estão a tratar com pinças ou estão a colorir a coisa de tal forma para que o escândalo não seja maior. Ou porque o nome é Espírito Santo, que de santo e de bom espírito tem muito pouco. O que é certo, é que estamos diante de gente sem vergonha a receber milhões de euros de forma descarada e não se passa nada, porque acham que têm direito, ou porque uma coisa são negócios de empresas ligadas ao banco, outra coisa é a família Espírito Santo. Banco e família. E que família, com nome e tudo. Uma elite que até se dá ao luxo de «brincar aos pobrezinhos», não deve ser beliscada. O banco, porque pertence ou pertenceu a uma nobre família deste pobre país onde os poderosos têm direito a tudo, deve ser tratado com pinças e ser salvo, porque sim. Logo veremos. Oxalá que nos enganemos, mas este filme já o vimos até à saciedade. Estes salgados e todos os espíritos elitistas ricos deste país e do mundo, (incluso jogadores de futebol, cantores e artistas, que ganham somas astronómicas, mais as negociatas que representam), nada têm de espírito santo, todos esquecem que para terem muitos milhões amealhados muitos milhões de pessoas mergulham no desemprego, na pobreza, na fome em todo o mundo. Os seus jogos de casino com o dinheiro dos outros é uma ofensa, um roubo à população. São eles os principais culpados pelo desemprego, pela pobreza, pelo decréscimo e sangramento da população. Todas as principais misérias que assolam os dias do nosso desgraçado país e do mundo profundamente desigual e injusto, tem nomes, tem rostos que deviam ser responsabilizados. 3. Face a estas misérias onde anda a Conferência Episcopal Portuguesa? Onde andam os bispos nas Dioceses, principalmente, Lisboa e Porto, onde está a maior fatia de católicos? - Sem esquecer os outros, todos são a autoridade máxima da Igreja Católica em Portugal, nomeados para defender o nosso povo pela denúncia profética e pela opção pelos mais frágeis e indefesos desta vida. O que estão a ler? Não estão em comunhão com o Papa Francisco? Não seguem o seu exemplo, ele que não tem pruridos nem muito menos papas na língua? Não repararam ainda que está uma mudança em curso e que a ação do Espírito de Deus é imparável? Têm medo do quê? Dos políticos inábeis que se chegaram à frente sem valores, aureolados com a coroa da maçonaria ou de outras instituições obscuras e secretas que por aí andam, às vezes até vestidas com mantos profundamente religiosos? – Há que arrepiar caminho e não ter medo de falar e apontar novos rumos onde ninguém fique para trás. Esta é uma exigência cristã, esta é a maior exigência do Evangelho. Estar contra isto é não ser Igreja cristã e menos será ser digno do discipulado de Jesus de Nazaré. Não quero com esta reflexão dar «ordens» aos senhores bispos, mas fazer pensar que já é tempo de tomar a sério a pastoral e reparar na vida concreta das pessoas. O discurso da fé é muito importante e bonito, mas se lhe falta carne, realidade viva, é fé morta, uma falácia. As misérias são tantas, a violência brada aos céus contra os mais frágeis, a violação do bem comum uma constante, a injustiça faz sangrar as famílias mergulhando-as na miséria, na fome, na violência e na morte. Por isso, o tempo urge. É preciso denunciar, alertar e apontar caminhos de acordo com os Direitos humanos e com o Evangelho que nos guia.

José Luís Rodrigues