R. França As próximas eleições internas e o congresso do PSD-Madeira a realizar posteriormente constituirão uma óptima oportunidade para clarificar a situação interna do PSD e o obscurantismo que procura tomar de assalto o partido. Não podemos, ingenuamente, ignorar que o vai estar sub-repticiamente em confronto é a escolha entre uma corrente ideológica de matriz capitalista, tecnocrática e antidemocrática, que se espalha por diferentes candidaturas, e que através do “mainstream” imposto pela “dita” “comunicação” social, mais não faz do que formatar a consciência política das massas no “credo” dos mercados, elevando-a religião oficial dos órgãos soberanos. Por outro lado e em contraste com esta última, temos a matriz genuína e originária do partido: a matriz social-democrata, de inspiração personalista radicada nos princípios da doutrina social da igreja, onde impera o primado da pessoa humana sobre o artificialismo das instituições (ao contrário do capitalismo que preconiza o artificialismo do mercado). A verdadeira social-democracia colocou-se sempre do lado dos mais desfavorecidos, contra o autoritarismo dos senhores do capital. E é precisamente nesta questão que a liderança do PSD deve centrar-se em grande medida, embora não exclusivamente. O próximo líder do PSD-Madeira deve ser alguém com uma grande capacidade de liderança para poder unificar o partido, e adoptar um discurso de ruptura contra o “status quo” “diktado” pelo autoritarismo tecnocrático, ainda para mais no actual contexto de grave crise económica e social imposto precisamente por eles em consequência de alguns devaneios levados a cabo por outros, reconheça-se. Por tudo isto e olhando para as candidaturas à liderança do PSD-Madeira, só um homem, só uma candidatura parece reunir as condições necessárias para afirmar a própria independência do partido aos interesses que germinam à sua volta. Pelas suas origens humildes, pela sua capacidade de trabalho, de liderança, pela sua formação humana e ideológica, penso que o actual Secretário Regional do Ambiente e Recursos Naturais, Dr. Manuel António Correia, é o único candidato que interpreta a verdadeira matriz ideológica social-democrata de Sá Carneiro, que desenvolveu e lutou pela autonomia política da Madeira, contra os “situacionistas” que foram minando o país ao sabor do “Grândola Vila Morena”, inicialmente, e do frenesim consumista “capitaleiro”, posteriormente.