Se é preciso uma moda do género - não sou menos que ninguém - para despertar o espírito solidário das pessoas, que seja.
Eu também acho que a solidariedade não tem de depender de um banho gelado, mas se a corrente meio aparvalhada mas simbólica dá frutos, não percebo a crítica. Como todo o fruto da silly season cai com as folhas do Outono. A ajuda ao próximo nunca deve ser criticada, mesmo quando se desperdiça uns baldes de água, pese embora a importância de preservar o recurso.
O importante é que se atinja o objectivo e que isso, sim, não seja uma banhada.
Depois de falar com a mãe de uma criança afectada por uma doença rara, nunca mais me abandonou o medo de ser tocada (ou os meus) por uma patologia assim.
Se uma doença de um filho é um terror por si, uma doença rara é mais de que um balde de água fria é um mergulho solitário no deserto. Valem, na maior parte das vezes, as associações de gente que partilha angústias, medos, mas também esperança e experiência.
Para além de pouco se saber das patologias raras, muitas vezes estas são preteridas pela indústria, no que à investigação diz respeito.
Se há quem precise de banhos gelados para acordar para a causa da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA, ou outra, pois que sim, que o meio aqui é o que menos importa. Foquemo-nos no fim.