João Freitas De um tempo de expectativas e esperança, dinamizado pela expectativa do sonho, de desenvolvimento, de Viver, mais e melhor... Vários foram os slogans, ao longo do tempo que potenciaram tal dinâmica, nos diversos sectores sociais, fosse o horizonte de atingir os patamares de desenvolvimento da União Europeia, com os fundos europeus como contributo, a promessa competitiva, nos créditos bancários, tão necessários para o tal salto qualitativo, do melhor spread, a melhor taxa, pelo máximo de tempo....!!!?? (...)
Do sonho, sempre necessário, como escreveu no poema, “Pedra Filosofal”, António Gedeão, que “sempre que um homem sonha / o mundo pula e avança / como bola colorida / entre as mãos de uma criança.” José Gil, filósofo, numa entrevista à TSF (10 Março 2013) disse que os “portugueses deixaram de sonhar”, e no seu livro, “Portugal Hoje, O medo de existir”, uma das suas reflexões: “O medo vem do presente que se perpetua por falta de ideia do futuro.” Num recente artigo, o Prof. Viriato Soromenho Marques escreveu: “Estamos no deserto, sem bússola. As nações também podem morrer de sede. Quando lhes falta a promessa líquida do futuro.” (“Perdidos”, DN, 28 Jul.)
Eduardo Lourenço, ensaísta, pensador e filósofo, numa entrevista recente, ao Público, disse, acreditar que Portugal vai sair da “situação humilhante” em que se encontra, mas não sabia como (22 Jan.). Agostinho Silva, filósofo, poeta e ensaísta, numa mensagem aos portugueses: “O que quero de todos os portugueses é o seguinte: sejam curiosos; e que a organização em sociedade possa ser de tal maneira que eles possam satisfazer essa curiosidade completamente. E não para ganhar dinheiro, não para fazer figura, nem para ganhar cargo, mas para ser plenamente aquilo que é.”(citador.pt) José Tolentino Mendonça, no seu ùltimo artigo, “Trocar de mãos”, refere que “a omnipotência humana é uma ilusão que, com maior ou menor estrondo, acaba por tombar. A bem dizer, não há quem não faça a experiência da vulnerabilidade”.
E conclui: “os olhos deslizam pela superfície do Universo, mas nada nos dá mais a medida do real do que o passo e a mão.” (Revista Expresso, 23 Ago.). E finalizo, com a ùltima estrofe, do poema, “Esta gente”, de Sophia de Mello Breyner Andresen: “Meu canto se renova / E começo a busca / De um país liberto / De uma vida limpa / E de um tempo justo.” (in “Geografia”).