M.R.F.C. A propósito da carta do leitor da Sra. Helena Freitas, na semana passada, sobre o ruído, aproveito também para denunciar uma outra situação do género, pois a cidade está numa anarquia completa e sem regulação qualquer que se pegue e muito menos bom senso nem respeito, no que toca ao ruído (e não só).

Por exemplo, na Rua da Queimada de Cima há um estabelecimento que pratica uma poluição sonora tal, a seu bel-prazer, especialmente ao fim do dia e aos fins-de-semana e feriados, sem ter a noção básica que não pode nem deve incomodar os vizinhos, quer a nível particular quer, principalmente, a nível comercial. O dito passa 30 dias/mês, 365dias/ano com a sua aparelhagem de música virada para o exterior, aos altos decibéis, com as músicas a seu gosto, obrigando toda a rua e arredores a ouvir os seus gostos musicais arraialeiros, incomodando os vizinhos e outros comerciantes, sem que haja forma civilizada de o impedir. O dito faz um espectáculo circense de tal maneira, aumentando e diminuindo o volume da música em intervalos de 15 em 15 minutos mais ou menos, sucessivamente e sempre que lhe apetece, intercalado com assobios, brinquinhos, bailinhos, castanholas, palmas, danças, gritos, apitos, cenas de embriaguez colectiva (clientes, empregados e patrão, todos juntos) e tantos outros ruídos vários, tornando a rua numa espécie de zona circense de atracção de aberrações, onde quem por lá passa, só permanece quem gosta, fazendo com que afugente os que não se sentem à vontade com tal ambiente de poluição sonora e circense. Essa atitude, para além de provocar incómodos graves a vizinhos que não se revêem naquilo e que não são obrigados a ouvir aquilo, provoca também prejuízo nos estabelecimentos vizinhos cujo negócio não está vocacionado para o espectáculo circense na via pública que todos são obrigados a ouvir 365 dias / ano.

Dado que não se trata de situações pontuais, mas sim recorrentes e diariamente repetidas, já por dezenas de vezes foram chamadas as autoridades, numa tentativa de acalmar a euforia do individuo e a extrema poluição sonora, mas sempre sem resultado, pois a Polícia chega ao local e a música já foi desligada (temporaria-mente) ou recebem uns berros do indivíduo dizendo que a “lei do barulho é só à noite e que pode fazer o barulho que quiser desde que seja de dia, e que os outros têm é inveja!”, aumentando ainda mais os decibéis em tom provocatório. Ora, como o dito estabelecimento tem lá o seu tipo de clientela, não significa que os vizinhos e os outros estabelecimentos das ruas das queimadas tenham que gostar do mesmo. Aliás, há outros estabelecimentos que, estando direccionados para outro tipo de clientela e ambiente, estão a ser prejudicados por causa da música extremamente alta, fazendo com que afugente as pessoas que procuram um ambiente calmo ou, no mínimo, diferente daquele.

O maior número de pessoas que circula nessas ruas, principalmente turismo, não se identifica com aquele ambiente de ruído ensurdecedor de altos e baixos, acabando por se irem embora, ficando apenas o dito estabelecimento com a sua clientela e afugentando os clientes dos outros. O indivíduo responsável é de tal maneira rude e campesino que está completamente excluída a hipótese de alguém dirigir-se civilizadamente para pedir que acabe com a poluição. Ora, Polícia, CMF ou outras entidades competentes: não há nada que se possa fazer contra isto? Não estamos no meio da Serra onde se pode berrar a torto e a direito! Estamos no Centro da Cidade. Não há entidade que regule este tipo de abusos, principalmente quando se trata de abusos de ruído que implicam em questões comerciais e não apenas questões particulares?

Será que somos obrigados a levar com a música do vizinho num raio de 100 metros ou mais? Será que não temos direito à calma? Será que cada estabelecimento não deveria ter o seu próprio ambiente em vez de ter que assumir o ambiente do vizinho?! Esta situação não se trata de uma questão de gostos, pois gostos não se discutem. Isto já está para além do abuso. É uma loucura desenfreada. Por isso, pede-se ajuda às entidades competentes para que averigúem a situação a fim de acabar com este abuso.