Começa a ser indiscritível o que se passa dentro do actual PSD-M. Depois de décadas de governação, com o poder absoluto, o que seria normal neste momento era sentir orgulho do passado e do que se construiu até aqui. Foram quase quatro décadas de muito trabalho, desenvolvimento e de preparação para um futuro difícil. Nem tudo o que se fez e construiu foi bem feito e naturalmente, como em todo o lado, na vida privada, nas empresas, nos Estados e Nações, há sempre coisas de que nos orgulhamos e coisas que, naturalmente, temos de reconhecer, não foram bem-feitas. Nada de mal existe em assumir os erros e olhar para a frente com vontade de fazer mais e melhor. Ninguém é eterno, nem as pessoas nem as empresas. Tudo nasce, vive e um dia morre ou desaparece. A atitude inteligente está em saber preparar todas estas fases. O que se tem passado na RAM e no PSD-M é um bom exemplo do que não se deve fazer. O poder é uno e indivisível. Nada se prepara e nada se constrói. O lema é deixar cair, pois “depois de mim, só o caos”. É a lógica do umbigo. A gestão é a do próprio umbigo e de tentar manter a imagem de que ou “eu” ou o “caos”. Isto vai destruir tudo o que já foi feito e irá pôr em causa o futuro, que deveria ser preparado, para uma inteligente gestão do partido, de uma Região e de um Governo, que se precisa, construtivo, adaptado à realidade actual, com trabalho, dedicação e construção de um futuro melhor, sobretudo para as gerações mais novas. Com eleições internas em Dezembro, assiste-se, todos os dias, ao massacre de todos os candidatos, numa luta pelo poder,sem lógica, racionalismo e inteligente, usando armas “brancas”, sujas, de baixo nível e ataques pessoais indiscritíveis. Foi esta lógica que deu o poder à oposição, nas últimas eleições autárquicas. A oposição não teve mérito nenhum na conquista autárquica. Apenas beneficiou do descontentamento generalizado e das tricas políticas actuais. De todas as direcções. Muitos dos candidatos, só olham para o seu umbigo, para os seus interesses e é um “vale tudo” para tentar ficar na liderança do partido. Já alguém pensou no que virá depois das eleições internas? De todos estes candidatos, qual o que tem condições para assumir uma posição vencedora nas próximas eleições regionais, em 2015? Qual o que deu provas, até aqui, de poder ganhar eleições e poder disputar em segurança, a continuidade do partido na gestão da Região? Nada aprenderam nas últimas eleições autárquicas ou acham que o povo anda a dormir? De que serve ganhar o partido se depois, não se ganham as eleições regionais? De que serve ser líder do partido, se o partido não ganhar as próximas eleições regionais? Qual o poder de um líder partidário, na oposição? Depois de tantos anos de governação PSD, vejam bem o que se está a fazer nas Câmaras onde a oposição entrou em Outubro, e muitas vezes, de forma baixa, suja e inqualificável, com o apoio de alguns membros do PSD, do Governo e dos seus meios: a própria destruição do seu partido, dos seus membros e militantes, num jogo público, de tentativa de descredibilização e desacreditação, apenas a pensar no seu umbigo e nos seus interesses pessoais. O povo não dorme e mais cedo ou mais tarde, teremos o que merecermos e construirmos. Estar contra, pelo simples facto de estar contra, é o sentimento mais primário de uma sociedade, quando não se vislumbra mais nada. Se há coisas que a população reconhece, sabe e já não compra, é o oportunismo político, fácil e barato. A social-democracia precisa urgentemente de uma mudança radical, rápida, consistente e inteligente, com estratégia, determinação e vontade de construir, desenvolver e olhar pela sociedade, pela sua economia, numa gestão social e sem oportunismos pessoais e políticos. Se neste momento não formos suficientemente inteligentes para mudar o rumo às coisas, o que aconteceu e está a acontecer nas Câmaras Municipais, depois de Outubro 2013, onde nada se faz ou constrói, onde não existe obra realizada nem interesse em desenvolver os municípios, apenas a vontade de destruir e deitar abaixo o que vem do passado, imaginem o que se passará dentro do Governo Regional com a oposição lá dentro…

Pedro Calado Administrador