A autonomia das escolas é uma bandeira muito utilizada pelos ministros da educação, mas depois dos discursos, o que chega é um espartilho de legislação a regulamentar o ar que as escolas respiram, a impor condições e exigências que inviabilizam qualquer ideia de inovação, de adaptação dos currículos, de gestão diferenciada ou uma mudança no modelo de ensino.

A Educação é um valor público, um bem comum que tem sido destruído, ao sabor de medidas economicistas e de políticas erradas. Os governantes e os responsáveis das diferentes forças políticas continuam a brincar à educação, ao ensino e às escolas, em vez de, prestando um serviço público, definirem em conjunto, de modo sustentado e com visão estratégica, políticas educativas de longo prazo que, assentes na vida real das escolas, em prol do sucesso dos alunos, valorizem o ensino, o conhecimento e os professores.

Os políticos, e tantos outros, continuam a descurar a outra face da escola, a que está para além dos exames, dos rankings, das metas curriculares, do corte de salários e do despedimento dos professores. A escola não se limita a ensinar, hoje, a escola também toma conta dos filhos, enquanto os pais vão trabalhar, guarda-os, alimenta-os, ocupa os seus tempos livres, vigia-os, educa-os para os comportamentos e para as atitudes.

Garantindo, naturalmente, a educação formal e os valores inerentes ao processo ensino-aprendizagem, transferiram para a escola todo aquele dever de educar que sempre pertenceu à família. Como afirma a professora Olga Pombo “A escola está hoje sufocada com uma complicada alquimia por intermédio da qual procura responder a tantas novas responsabilidades educativas”. O problema não reside no facto de a escola assumir estes compromissos, a questão fundamental é que ela precisa de condições, meios e de verdadeira autonomia para cumprir a missão de ensinar e educar.

Como os governos não encontram soluções para os dramas sociais das famílias, fazem de conta que não sabem que a escola, além de ensinar, recebe, enfrenta e ajuda a resolver as consequências de cada uma das dificuldades económicas, sociais e culturais de cada um dos seus alunos.

Rui Caetano