O tema é recorrente, mas sobe à tona com maior frequência nesta altura estival, em que mais pessoas têm mais tempo livre e, assim, maior disponibilidade para acederem a restaurantes, bares e similares. A maior afluência de pessoas a estes estabelecimentos implica, por vezes, uma sobrecarga a vários níveis para os proprietários e profissionais que neles trabalham. Na mesma proporção aumenta a probabilidade de alguma coisa não correr tão bem como se esperava, independentemente da competência e do profissionalismo dos envolvidos. É também nestas alturas que constatamos uma maior apetência para as reclamações, umas por tudo e por nada, outras com razões de sobra para fazer ecoar um mau atendimento. Nestas coisas há sempre o perigo das generalizações, tomando a árvore pela floresta, com todas as injustiças que daí advêm. Mas, há que reconhecer, também existem muitas situações que merecem ser relatadas, não para solucionarem o imbróglio pontual que a originou, mas para servirem de exemplo ou de simples alerta à comunidade. É neste cenário que se questiona a hospitalidade de um determinado povo, para o que é necessário juntar mais do que um ou dois episódios pontuais. Numa terra turística como a nossa, que já ‘enviou’ madeirenses para todas as partes do mundo, seria expectável que tivéssemos uma ‘cultura de receber’ um pouco mais aprimorada, já que nem sempre mostramos que essa é uma qualidade genuína. De fora desta reflexão estão os profissionais da hotelaria madeirense, altamente cotados para estarem à altura das exigências dos 4 e 5 estrelas. Correndo o risco de ser mal interpretado, mas servindo-me de variados exemplos que chegaram ao meu conhecimento nos últimos anos, não tenho muitas dúvidas em classificar de sofrível a generalidade do serviço prestado por muitos estabelecimentos similares de hotelaria, um pouco por todo o lado nesta Região Autónoma. Claro, felizmente sempre com elogiáveis exemplos que contrariam essa análise genérica, mas que não são a maioria. Há detalhes que marcam. Desde logo a forma como se recebe alguém que acaba de colocar o primeiro pé dentro do estabelecimento ou na sua esplanada. O mau humor, mesmo que pontual, e até algum gesto de clara má educação, são decisivos para ‘estragar’ o ambiente de quem vem disposto a gastar algum dinheiro, mas nada disponível para apanhar com determinadas indelicadezas. Isto para falar apenas na relação empregado-cliente, deixando para outra abordagem os malefícios de determinadas atitudes com reflexo imediato no rendimento esperado pelo patrão/estabelecimento. Que mais cedo ou mais tarde se repercutem em despedimentos.