As declarações do antigo presidente da Segurança Social da Madeira, Roque Martins, prestadas ao Diário, a par de muitas outras já conhecidas, muitas que serão tornadas públicas e outras ainda que vão ser covardemente caladas, é a demonstração do descalabro que foi, continua a ser e ainda tem alguns meses para alastrar, do regime intalado na Região pelo PPD/PSD e pela Igreja local, com João Jardim e Francisco Santana nas frentes de guerrilha, continuada por marionetas dos caciques, de emblema laranja e da cruz de Cristo ao peito. Ninguém ainda ousou desmentir tais declarações, provavelmente por irrefutáveis, atendendo à probidade do declarante. Dito e aceite: “No Verão de 2004, por convite do dr. Alberto João Jardim fui convidado para presidir ao Centro de Segurança Social da Madeira. Este convite nunca foi do agrado da dra. Conceição Estudante que sempre viu em mim uma sombra para a sua acção governativa”; “A dra. Conceição Estudante prometeu, antes das eleições, pôr aquilo tudo limpo, mas não cumpriu”; “falta de coragem e de verdade irá dar aso a um episódio que não engrandece Alberto João Jardim e torna Jardim Ramos na figura triste que não merecia”; “só a ignorância podia comparar uma realidade incomparável. Tenho pena que o dr. Jardim Ramos tenha sido levado para uma situação que tem pouco a ver com a sua postura pessoal”; “a carta que Alberto João Jardim me enviou em que manifesta ‘a sua incapacidade’ para alterar uma decisão que já estava tomada”; “Todos os indicadores socio-económicos já apontavam nesse sentido. O desemprego, o crescimento, a população activa e a pobreza apontavam já no pior sentido. Havia a necessidade urgente de mudar de políticas o que não foi feito. A catástrofe adivinhava-se…”; “Só a obstinação de Alberto João Jardim e a incompetência técnica e política da maioria dos seus membros do governo não viam o que todos temiam. A ocultação, os privilégios sempre nos mesmos, a forma acintosa como se queria ignorar os grandes problemas não podia ter outros efeitos. Lastimo que só hoje Alberto João Jardim reconheça a grave crise social para que atirou a região. Ainda por cima culpando outros dos seus próprios erros”; “Os políticos têm de saber o momento de se afastarem do poder antes do poder lhes fugir das mãos”. Quem sabe mais? Quem diz mais? Quem mais tem coragem? Quem quer ajudar a Madeira? Alguém sabe onde fica o maior viveiro de cromos? Alguns saem nas procissões e escondem a sua maldade atrás da falsa fé. Até são capazes de deixar de ter fé em São Tiago Menor se a edilidade não for laranja. Fés menores.
Eduardo Fonseca Jornalista