A oposição, que também é mais ou menos a mesma, vai-se dedicando às pequenas escaramuças... Meu querido irmão: Escrever seja o que for em pleno mês de Agosto, quando quase toda a gente está de férias e foi a banhos, é como fazer “xixi” dentro de água – sente-se um calorzinho mas ninguém repara! Por isso aproveito para contar-te novidades da nossa terra – peço desculpa aos poucos leitores que estejam a fazer o favor de ler isto, podem passar à página seguinte porque se trata duma carta pessoal. Muito obrigado! Graças às virtudes das novas tecnologias conseguimo-nos ler, ver e ouvir a qualquer momento e em tempo real, seja no Facebook, no Skype ou no telemóvel. Isso quando a linha não cai, ou a rede está fraca, ou a imagem indisponível ou o som com cortes. Nessas alturas os miúdos acenam e mandam beijinhos, contamos em tom divertido as últimas que andaram aprontando, como vão indo na escola, enfim, todas as coisas boas que nos vão dando ânimo e atenuando as agruras do quotidiano. É claro que não nos pomos a lamentar daquilo que corre mal, do que nos atormenta, da saudade que corrói e da falta que fazemos um ao outro. Enquanto aí ainda estão na ressaca do Mundial e daquela cabazada monumental aos pés da Alemanha, por cá a nossa envergonhada e olvidável participação já foi ultrapassada, porque a nova época futebolística começou, e logo com o Benfica a conquistar a Mini-Taça nas grandes penalidades…Pois é, se continua assim vai ser mais um ano em que ninguém os atura, mas adiante… O assunto que mais tem ocupado os telejornais e as primeiras páginas é a nova e interminável novela mexicana do BES: não te recomendo que percas muito tempo a perceber os contornos de mais este enorme escândalo financeiro, da missa ainda não se sabe a metade e ainda vai dar muito que falar – espero que não nos estoire nas unhas, caso contrário mais vale fechar de vez esta treta de país e emigrarmos todos…e por falar em emigração, são cada vez em maior número os nossos conterrâneos que partem à procura de esperança - a pouca que ainda havia foi taxada pelo Governo e o Tribunal Constitucional deixou passar… Em contrapartida dizem-nos que o desemprego diminuiu, o que é apresentado como um sinal de retoma (que naturalmente não tem nada a ver com as centenas de pessoas que diariamente deixam o país). Apesar de ainda haver quem insista na teoria de que na Madeira as coisas não estão tão más como no resto do país, o que vemos a cada dia é que a realidade é exactamente o oposto: batem-se recordes de empresas insolventes (há dias foi o Golden que fechou); uns desesperam por um emprego, outros têm-no mas não recebem há meses, o incumprimento bancário aumenta, adoece-se pelo simples medo da miséria bater à porta, morre-se da doença porque não há dinheiro para medicamentos, morre-se de fome… E o que se faz para tentar inverter este estado de coisas? Política, claro! O PSD-Madeira tem 5 candidatos à sucessão do Alberto João, Sim, esse mesmo, ainda é ele! Caramba, afinal tu só estás fora há 15 anos, não é? A oposição, que também é mais ou menos a mesma dessa altura, vai-se dedicando às pequenas escaramuças da politiquice, como se lutassem todos pelo mesmo segundo lugar da “pole-position”. Eu sei o que vais dizer, meu irmão, não há muito tempo eu falava da política com entusiasmo, de como acreditava que é possível melhorar as práticas, mudar o sistema por dentro, contribuir para que os nossos filhos tenham um futuro menos incerto…Ainda acredito nisso, e felizmente não estou só. Mas às vezes sinto-me a pregar no deserto – é muito mais fácil e confortável dizer que sim a tudo e a todos, deixar andar e que sejam os outros a resolver os males do Mundo. Pois, se todos abanarem a cabeça nada muda…daí haver sempre uns idealistas líricos que vão à luta em nome de princípios e valores… Deixa lá, o mês de Agosto tem sempre este efeito em mim, fico um bocado deprimido mas depois passa-me. Bem, a carta já vai longa, recebe um grande abraço do teu mano velho e fica bem. Até breve. Raul Ribeiro

A oposição, que também é mais ou menos a mesma, vai-se dedicando às pequenas escaramuças...

Meu querido irmão: Escrever seja o que for em pleno mês de Agosto, quando quase toda a gente está de férias e foi a banhos, é como fazer “xixi” dentro de água – sente-se um calorzinho mas ninguém repara!

Por isso aproveito para contar-te novidades da nossa terra – peço desculpa aos poucos leitores que estejam a fazer o favor de ler isto, podem passar à página seguinte porque se trata duma carta pessoal. Muito obrigado!

Graças às virtudes das novas tecnologias conseguimo-nos ler, ver e ouvir a qualquer momento e em tempo real, seja no Facebook, no Skype ou no telemóvel. Isso quando a linha não cai, ou a rede está fraca, ou a imagem indisponível ou o som com cortes. Nessas alturas os miúdos acenam e mandam beijinhos, contamos em tom divertido as últimas que andaram aprontando, como vão indo na escola, enfim, todas as coisas boas que nos vão dando ânimo e atenuando as agruras do quotidiano. É claro que não nos pomos a lamentar daquilo que corre mal, do que nos atormenta, da saudade que corrói e da falta que fazemos um ao outro.

Enquanto aí ainda estão na ressaca do Mundial e daquela cabazada monumental aos pés da Alemanha, por cá a nossa envergonhada e olvidável participação já foi ultrapassada, porque a nova época futebolística começou, e logo com o Benfica a conquistar a Mini-Taça nas grandes penalidades…Pois é, se continua assim vai ser mais um ano em que ninguém os atura, mas adiante…

O assunto que mais tem ocupado os telejornais e as primeiras páginas é a nova e interminável novela mexicana do BES: não te recomendo que percas muito tempo a perceber os contornos de mais este enorme escândalo financeiro, da missa ainda não se sabe a metade e ainda vai dar muito que falar – espero que não nos estoire nas unhas, caso contrário mais vale fechar de vez esta treta de país e emigrarmos todos…e por falar em emigração, são cada vez em maior número os nossos conterrâneos que partem à procura de esperança - a pouca que ainda havia foi taxada pelo Governo e o Tribunal Constitucional deixou passar… Em contrapartida dizem-nos que o desemprego diminuiu, o que é apresentado como um sinal de retoma (que naturalmente não tem nada a ver com as centenas de pessoas que diariamente deixam o país).

Apesar de ainda haver quem insista na teoria de que na Madeira as coisas não estão tão más como no resto do país, o que vemos a cada dia é que a realidade é exactamente o oposto: batem-se recordes de empresas insolventes (há dias foi o Golden que fechou); uns desesperam por um emprego, outros têm-no mas não recebem há meses, o incumprimento bancário aumenta, adoece-se pelo simples medo da miséria bater à porta, morre-se da doença porque não há dinheiro para medicamentos, morre-se de fome…

E o que se faz para tentar inverter este estado de coisas? Política, claro! O PSD-Madeira tem 5 candidatos à sucessão do Alberto João, Sim, esse mesmo, ainda é ele! Caramba, afinal tu só estás fora há 15 anos, não é?

A oposição, que também é mais ou menos a mesma dessa altura, vai-se dedicando às pequenas escaramuças da politiquice, como se lutassem todos pelo mesmo segundo lugar da “pole-position”.

Eu sei o que vais dizer, meu irmão, não há muito tempo eu falava da política com entusiasmo, de como acreditava que é possível melhorar as práticas, mudar o sistema por dentro, contribuir para que os nossos filhos tenham um futuro menos incerto…Ainda acredito nisso, e felizmente não estou só.

Mas às vezes sinto-me a pregar no deserto – é muito mais fácil e confortável dizer que sim a tudo e a todos, deixar andar e que sejam os outros a resolver os males do Mundo. Pois, se todos abanarem a cabeça nada muda…daí haver sempre uns idealistas líricos que vão à luta em nome de princípios e valores…

Deixa lá, o mês de Agosto tem sempre este efeito em mim, fico um bocado deprimido mas depois passa-me.

Bem, a carta já vai longa, recebe um grande abraço do teu mano velho e fica bem.

Até breve.

Raul Ribeiro