António Cunha Vaz Esta era para ser uma carta como são todas: aberta. Mas, pensando melhor, decidi enviá-la fechada. Se lhe chamasse carta aberta, Miguel de Sousa poderia pensar que alguém já a tinha lido antes e não era justo. Também poderia julgar ser uma carta à Berta e deduzir não ser ele o destinatário. Com as múltiplas funções que tem, Miguel, poderia não “ter tempo para perceber” e, por essa razão, só por essa razão, prometo explicar tudo, mesmo tudo, “clarinho, clarinho, para militar”, como diria o almirante sem medo.
Nota: Miguel, o almirante sem medo não foi o General Humberto Delgado, foi o Almirante Pinheiro de Azevedo.
Miguel, eu não sou candidato à liderança do PSD Madeira. Mas, isso, até tu já sabias.
Mas, tenho uma novidade para ti, Miguel: TU TAMBÉM NÃO!!!
Creio que te começaste a aperceber disso recentemente. Ao elegeres-me alvo quiseste criar um campeonato próprio, em que possas ganhar, isto é, uma espécie de privatização das eleições partidárias em que tu detenhas à partida 75% ou mesmo 100%. Queria alguém à “tua altura”. E elegeste-me. Já me chamaste “grande”, “burro”, “continental e do CDS”, entre outros epítetos que nas redes sociais me diriges desde aquele fatídico dia em que soubeste que “havia outra” - candidatura, leia-se - que eu apoiava, embora sem ganhar dinheiro e apenas para cumprir uma máxima que aprendi nas montanhas da Bolívia com o CHE: “na revolução não se ganha”.
Ó Miguel, até te tive como uma das “referências” da minha juventude, Diziam-me que eras um dos mais promissores pilares da JC. Depois mudaste, é certo, e só não mudam os “burros”, como eu, ou os irmãos Dalton, nomeadamente o Averel ( não sei se te recordas, Miguel, mas havia uns livrinhos do Lucky Luke...). É verdade, Miguel, que eu fui militante da JC (CDS).
Também não compreendo, pois custa-me acompanhar a tua velocidade de raciocínio, a xenofobia contra os continentais, vinda de quem quis a vida toda servir o governo da república, mesmo num lugar de ajudante de ministro ( para parafrasear Sua Excelência o Presidente Aníbal - não o de Cartago, Miguel, mas o de Boliqueime). E se acertas que sou continental enganas-te na geografia, Miguel. Eu sou português de segunda. Sou do continente Africano. Com tanto orgulho como sou Madeirense de coração. Sabes, Miguel, eu comi 25 tostões de bolo partido na Lua depois dos treinos do União, trabalhei como paquete de agência de viagens nas férias, enquanto estudava na faculdade, tenho padrinhos das minhas Filhas que são Madeirenses e, quer tu gostes, quer tu não gostes, sou Madeirense.
Mas, Miguel, a tua dimensão é outra. Eu, pobre coitado, sou um comerciante de informação, com quem tu até aceitaste que um Amigo te pusesse a falar e que se recusou a fazê-lo em nome da amizade que tem para com outra pessoa. Tu, pelo tu lado, evoluiste. Foste levado ao colo pelo Sr. Dr. AJJ, mordes-lhe quando podes e ele não vê e elogia-lo quando ele vê. Tu és um homem de vistas largas. És, diria mais, um estadista, isto é, estás num estado. Desta vez, Miguel, estás no estado de achar ou fingir que és candidato a presidente do PSD Madeira.
Dizes que já fiz campanhas de Mário Soares e de Carmona Rodrigues, esqueces-te de mais umas quantas. Muitas ganhei, outras perdi, em Portugal, Cabo verde, Angola, Brasil, Guiné Bissau. Até fiz a campanha do líder do teu partido que ganhou com a maior votação de sempre em directas. E tu, Miguel, bem sei, foste sempre a alma que ganhava as eleições na Madeira. Pensa o Sr Dr AJJ que algum dia chegaria a presidente do governo, não fosse a tua existência?
Que sou do Sporting, dizes tu, e que já servi o Benfica. Com orgulho, Miguel, como presto serviço a todos os meus clientes. Creio que é um estádio onde, às vezes vais à borla, não sei se na qualidade de deputado ou se na de empresário. Dou-te uma dica. Nunca fiquei à frente de nenhuma empresa ou projecto do Benfica que tenha dinamizado ou promovido.
“AMadeira não é a América, nem sequer Portugal” Claro que não Miguel, a América, esse país retrógrado, onde nada se passa??? Era o que faltava!! A verdade é que a Madeira também não é o Miguel de Sousa. E por isso te digo, Miguel, que te refreies nessa tua ânsia de servir Portugal como Secretário de Estado. É pouco para quem quer ser Presidente do Governo. Desprestigia a Madeira.
Miguel, a única coisa que me magoaria, só aqui entre nós, é a tua referência a eu não ser da Madeira. Sou tanto como tu, pois não uso a Madeira, como não uso o nome de Amigos para me servir. És mais madeirense que eu por nascimento e em altura. Como tu dizes, sou pequeno, atrasado mental e tontinho. Tenho a sorte, Miguel, de conhecer Madeirenses a sério. Alguns que te são muito próximos. Bendita Madeira que tais filhos tem.
Sei que a tua vida não está fácil. E, como diria o poeta, a solução, se não andas satisfeito, é mudar de vida. Não deves, mesmo, viver contrafeito. Já pensaste em Janeiro? Já pensaste que, ou voltas ao emprego, se o teu patrão ainda não tiver visto que dizes que os hotéis all inclusive destroem o turismo do Porto Santo, ou aceitas um lugarito que te será oferecido, misericordiosamente, por quem ganhar as eleições ou por algum daqueles a quem ofereceste Coral no Chão da Lagoa.
Pagaste a cerveja?
Ajudarei o JCS sempre que quiser e me apetecer - e a ele também, claro. Sabendo que muitos amigos meus não apoiam o JCS, não trairei um Amigo “por um punhado de dólares”! Por muito que isso te custe, Miguel. E por isso, sim, Miguel, apoio o João, como tu dizes, “de borla”!!!!! E o João, que sabe que nunca precisou de mim até agora, fica a saber que conta comigo mais do que nunca.
A propósito, Miguel, para eu fazer a tua campanha tinhas que prometer que não revelavas nomes de amigos, não fazias campanhas negras e demagógicas pois não as aceito. Gosto mesmo é de dar cabo dos seus autores.
A bem da Madeira! A bem da democracia!