A luta interna dos partidos políticos concretiza uma dimensão importante dos sistemas políticos “Doze vozes gritavam em fúria e eram todas idênticas. Não havia agora dúvidas sobre o que estava a acontecer às caras dos porcos. Os animais que estavam lá fora olhavam dos porcos para os homens, dos homens para os porcos e novamente dos porcos para os homens; mas já não era possível dizer quem era quem” (“Animal Farm”, George Orwell, 1945). Em pleno período estival, parece-me oportuno medir a temperatura, ao processo de “sucessão” desencadeado no seio do partido da maioria na Madeira. A “sucessão” programada continua a render apaixonadas confissões e arrebatadoras emboscadas entre os elementos da “linha de sucessão”. Apresentam-se as listas de assinaturas, perfilham-se apoiantes, descobrem-se avençados e desavenças, numa tentativa de se superarem uns aos outros, esquecendo-se por momentos que, são todos parte e contribuidores das agruras que agora propalam. Falar em “sucessão” significa a substituição de uma pessoa por outra. Podemos aduzir, que neste caso, a “sucessão” programada, resume-se a uma substituição de um dirigente partidário, que concretiza uma espécie de “renovação na continuidade”, mitigando a oportunidade para uma disputa eleitoral efectiva, a renovação e/ou circulação dos dirigentes políticos e partidários, e acima de tudo uma nova abordagem, diferentes propostas para um modelo de governação; uma estratégia diferente, um novo rumo, do modelo prosseguido nos últimos 30 anos. A luta interna dos partidos políticos concretiza uma dimensão importante dos sistemas políticos democráticos. Se por um lado é um terreno pantanoso onde todas as “estratégias” contam para garantir o voto dos militantes, por outro, traduz os comandos operacionais e evidencia os “donos” dos partidos que controlam o processo interno. É assim em todos os partidos, sejam eles Governo ou Oposição. O que conta é a manutenção do poder e a sobrevivência política. A cristalização dos dirigentes políticos constitui um dos grandes entraves à forma de fazer política e à própria regeneração de ideias e concepção do exercício democrático. Em democracia, é expectável a renovação da classe política, seja no plano interno, seja no plano externo. A substituição não significa renovação. Da mesma forma que é expectável que o Governo governe e, que a Oposição se constitua como alternativa credível, capaz de amanhã assumir o exercício do poder político. Os anacronismos têm um preço para todos, especialmente para a sociedade. Teresa Ruel

A luta interna dos partidos políticos concretiza uma dimensão importante dos sistemas políticos

“Doze vozes gritavam em fúria e eram todas idênticas. Não havia agora dúvidas sobre o que estava a acontecer às caras dos porcos. Os animais que estavam lá fora olhavam dos porcos para os homens, dos homens para os porcos e novamente dos porcos para os homens; mas já não era possível dizer quem era quem” (“Animal Farm”, George Orwell, 1945).

Em pleno período estival, parece-me oportuno medir a temperatura, ao processo de “sucessão” desencadeado no seio do partido da maioria na Madeira. A “sucessão” programada continua a render apaixonadas confissões e arrebatadoras emboscadas entre os elementos da “linha de sucessão”. Apresentam-se as listas de assinaturas, perfilham-se apoiantes, descobrem-se avençados e desavenças, numa tentativa de se superarem uns aos outros, esquecendo-se por momentos que, são todos parte e contribuidores das agruras que agora propalam.

Falar em “sucessão” significa a substituição de uma pessoa por outra. Podemos aduzir, que neste caso, a “sucessão” programada, resume-se a uma substituição de um dirigente partidário, que concretiza uma espécie de “renovação na continuidade”, mitigando a oportunidade para uma disputa eleitoral efectiva, a renovação e/ou circulação dos dirigentes políticos e partidários, e acima de tudo uma nova abordagem, diferentes propostas para um modelo de governação; uma estratégia diferente, um novo rumo, do modelo prosseguido nos últimos 30 anos.

A luta interna dos partidos políticos concretiza uma dimensão importante dos sistemas políticos democráticos. Se por um lado é um terreno pantanoso onde todas as “estratégias” contam para garantir o voto dos militantes, por outro, traduz os comandos operacionais e evidencia os “donos” dos partidos que controlam o processo interno. É assim em todos os partidos, sejam eles Governo ou Oposição. O que conta é a manutenção do poder e a sobrevivência política.

A cristalização dos dirigentes políticos constitui um dos grandes entraves à forma de fazer política e à própria regeneração de ideias e concepção do exercício democrático. Em democracia, é expectável a renovação da classe política, seja no plano interno, seja no plano externo. A substituição não significa renovação. Da mesma forma que é expectável que o Governo governe e, que a Oposição se constitua como alternativa credível, capaz de amanhã assumir o exercício do poder político. Os anacronismos têm um preço para todos, especialmente para a sociedade.

Teresa Ruel