Quando se pensa a política como um serviço que deve estar na essência das preocupações das pessoas e das comunidades, surge uma interrogação que nos interpela sobre a maneira mais adequada de motivá-las para a solução dos problemas colectivos. Como ir ao âmago, se o dia-a-dia difícil não traz novos estímulos e as energias positivas são consumidas pelas crescentes preocupações? Eu próprio me tenho interrogado sobre o estado anímico da sociedade madeirense e que condições existem nos agentes económicos, nos agentes sociais, nos agentes políticos para dar a volta à situação difícil da Madeira. A sociedade madeirense está claramente poluída por um ambiente de conflitualidade, de radicalismo e de agressividade, que foi trazida à sociedade pelos agentes políticos, muitos dos quais estão ainda presentes no nosso dia-a-dia. São eles que decidem o nosso presente, depois de nos terem cavado a incerteza quanto ao futuro, ao colocarem sobre nós o pesado fardo de uma dívida monstruosa. Esta conflitualidade, este radicalismo e esta agressividade não ajudam em nada, não contribuem para podermos dar a volta à situação difícil em que vivem os madeirenses e porto-santenses. O quadro é, na verdade, desolador. Só nos últimos cinco anos, perderam-se 3.000 empresas na Madeira, 17.000 postos de trabalho, o volume de negócios baixou 2 mil milhões de euros, a produtividade baixou 25% e o nosso PlB, entre 2009 e 2013, recuou 14%. Estes são números oficiais, trazidos a público pela Ordem dos Economistas na Região Autónoma da Madeira. O melhor exemplo para demonstrar o clima de radicalismo instalado, de conflitualidade, de confronto, de agressividade existente na Madeira, é atentarmos no número de processos judiciais envolvendo agentes políticos contra agentes políticos, deputados contra deputados. O caso da Madeira deve ser mesmo único em todo o mundo. Estamos convocados para reflectirmos todos neste epifenómeno. Estamos a criar um clima que não é propício à recuperação económica e social da Região. Precisamos de mudança política, segura, precisamos de ter estabilidade, precisamos de credibilidade, de confiança e de solidariedade na Região Autónoma da Madeira. Esse renascimento da nossa Autonomia é necessário. A renovação política e comportamental é um imperativo regional. Esta transformação terá de passar necessariamente pelo próximo acto eleitoral, mas passa também por reafirmarmos aqueles que são os nossos valores históricos, que são orgulho de todos os madeirenses e porto-santenses. Um deles, celebrado recentemente, foram os 500 anos da nossa Diocese. A Diocese do Funchal, a Igreja na Madeira e os seus 500 anos, simbolizam a herança histórica que honrosamente nos foi legada pelos nossos antepassados. Está a bater-nos à porta outro acontecimento com relevo histórico: os 600 anos de descoberta da Madeira. Um evento com todos os condimentos para voltarmos a acreditar na nossa grandeza de alma, para nos orgulharmos do nosso passado, reganharmos a força anímica que nos impele a trabalhar mais e melhor no presente e ir ao fundo de nós buscar a determinação de que precisamos para projectar com responsabilidade o nosso futuro. São estes valores, associados também à Doutrina Social da Igreja, que devem ser reafirmados no momento em que ainda comemoramos os 500 anos da Diocese do Funchal e nos preparamos para assinalar os 600 anos da descoberta da Madeira - daqui a quatro anos. O Governo Regional, que se saiba, não nomeou nenhuma comissão para preparar essas comemorações. É por isso que o CDS/PP-M propõe ao Parlamento Regional que seja criada uma comissão que dê dimensão e grandeza a esta importante efeméride. Este deve ser, aliás, um momento de afirmação da Madeira no espaço nacional e de projecção no plano internacional. O Parlamento regional, que está tão desprestigiado aos olhos da opinião pública, tem aqui uma oportunidade, diria mesmo, uma excelente oportunidade para, de alguma forma, tentar recuperar a sua imagem aos olhos daqueles que representamos. Só com melhor clima político, renovação política, estabilidade, competência, credibilidade, confiança e solidariedade, poderemos voltar a ter uma nova esperança numa nova Madeira!
José Manuel Rodrigues Líder do CDS-Madeira