João Freitas Nesta cidade, quando caminhava, junto a um edifício, que teve actividade comercial, cruzei-me com uma turista, de nacionalidade inglesa, pelos seus 60 anos, que estava de férias, na companhia da filha e estavam alojadas num dos hotéis locais. Ela perguntou-me que edifício era aquele, que parecia abandonado, com tantas lojas fechadas. Disse-lhe que antes tivera muita actividade comercial mas, que devido à crise, muitos estabelecimentos têm fechado. Ela, logo, respondeu: “What a waste!” (Que desperdício!). De seguida, perguntava-me, onde poderia comprar algum souvenir, pois as lojas que ali existiam quase nada tinham e que não compreendia que tipo de comércio era aquele. Com uma expressão de espanto, exclamou: “What can local people buy?!” (Que podem as pessoas comprar?!). Entre estas questões, revelou-me que, há 10 anos, estava para conhecer a Madeira, que via nas brochuras. E, com traços faciais de encanto, afirmou: “What a beautiful Island !” (Que ilha bonita !). Enquanto terminava esta exclamação, apontava para um prédio, com uma casa abandonada e um espaço exterior considerável, cheio de mato, localizado nas proximidades, e muito visível, porque junto à estrada principal, no centro, disse: “Someone should own it ?! Another waste !” (Deve ter dono ?! Outro desperdício !). Olhando os carros que passavam e algumas pessoas que cruzavam a estrada na passadeira, queixava-se de alguns condutores que não paravam nas passadeiras e que na estrada tinham encontrado alguns que faziam manobras precipitadas, e quase causavam acidente..... Antes de nos despedirmos e de desejar-lhes continuação de boas férias e de serem bem vindas à Ilha, conhecida pela Pérola do Atlântico, sugeri-lhes que poderiam comprar algum souvenir no Funchal.... Felizmente, que ainda nos cruzamos com algum turista que nos fala e nos descreve a realidade em que vivemos, ajudando a reavivar a nossa memória que, quase em estado anímico, como que anestesiados, porque alternativa está fora da nossa opção .... Esta cidade, desenhada, no limite da foz de várias ribeiras, no extremo de vales, onde a terra encontra o oceano, envolta no turbilhão dos reactores das aeronaves, que num vai vem, trazem e levam, cidadãos, deste e de outros destinos, culturas, credos, condições económicas e sociais e que, porventura, dela nem se apercebem...