Não vale a pena discutirmos se a Guiné Equatorial deve ou não entrar na CPLP. Por uma simples razão: é que já entrou. Agora já vale a pena falarmos sobre como acompanhar esse país na CPLP. A CPLP deveria enumerar claramente, ao governo de Malabo, tudo o que tem de ser feito para transformar a Guiné Equatorial num Estado de Direito. Depois aprovar um calendário de reformas e monitorizar o cumprimento dessas reformas. Não podemos ter qualquer cedência nesse compromisso. Todos os argumentos contra a entrada da Guiné Equatorial são merecedores de reflexão. No país não se fala o português. É verdade. Mas em Timor Leste também pouco se fala... mais: os franceses têm uma organização de Estados de língua francesa que é a “Francophonie”. Dessa organização fazem parte, como Membros, Cabo Verde a Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe. Países onde não se fala o francês nem essa língua é “língua oficial”... Os ingleses têm a “Commonwealth”. Dessa organização de países de língua inglesa está Moçambique. Ou seja, não é assim tão estranho que um país que não fala o português (mas onde o português é língua oficial e foi território de Portugal) faça parte da Comunidade de Países Língua Portuguesa. Quanto aos Direitos do Homem e à corrupção como sabemos a Guiné Equatorial, infelizmente, não é caso único na CPLP de um país onde a corrupção é endémica e onde a Democracia tem muito a ensinar... Outra crítica que se faz, mas essa injusta, é que a CPLP está-se a transformar numa Comunidade de negócios. Pois a resposta é simples: essa é uma das mais valias deste tipo de organização! CASO BES Já escrevi que o caso BES é um caso de polícia que deve ser investigado. Os culpados devem ser exemplarmente condenados - já agora também pelos Tribunais portugueses - pois utilizaram irresponsavelmente – e sem qualquer ética - o dinheiro dos depositantes e dos investidores. No entanto sem querer desculpabilizar o que não tem qualquer desculpa, vale a pena fazer uma observação: de facto algumas empresas e alguns cidadãos têm sido tentados a depositarem o seu dinheiro nos chamados Paraísos Fiscais fugindo ao fisco português. No entanto não é menos verdade que muitas outras empresas e cidadãos só não fazem o mesmo porque não sabem ou não podem. A verdade é que muitos procuram os Paraísos Fiscais porque em Portugal vive-se num autentico Inferno Fiscal. Essa é uma verdade que deve merecer a nossa reflexão. SEGURO VERSUS COSTA São tão parecidos. Se alguém julgava que António Costa, em relação a António José Seguro, seria mais moderado e responsável naquilo que diz e promete pois estes dias de campanha têm demonstrado que não. António José Seguro, na campanha para as Europeias, prometeu o Paraíso aos portugueses. Coitado, nem assim teve uma vitória expressiva. António Costa considerou - e bem - que a vitória tinha sido tímida. Vai daí querer o lugar. No entanto tem feito promessas que qualquer pessoa que conheça minimamente a realidade ( ainda dramática) do País sabe que nunca irá cumprir. Seguro diz que a solução está na “industrialização” do país, daí querer repor imediatamente tudo o que tem sido cortado. Costa diz o mesmo. Quer repor tudo e “trabalhar no longo prazo para o crescimento da economia”. O problema é exatamente esse. A questão não é o longo prazo. É o prazo imediato porque as contas do Estado chegam todos os meses... O futuro não promete nada de bom seja qual for o vencedor... ISRAEL/PALESTINA As cenas e os números que nos chegam todos os dias desta guerra entre Israel e a Faixa de Gaza são alarmantes. As imagens são chocantes. Como é possível? Como é possível Israel – um país do primeiro mundo – usar a sua força militar (o quinto mais profissional exército do Mundo) de uma forma tão desproporcional em reação a um grupo terrorista? Como é possível Israel atacar alvos que sabe que, apesar de terem uso militar de ataque por parte do Hamas, está repleto de escudos humanos? Como é evidente usar humanos como escudos é um crime de guerra. Um crime praticado por um grupo terrorista. Mas atacar esses mesmos alvos sabendo que os civis serão as vítimas não é crime? Um crime praticado por um País como Israel que se esperaria uma outra elevação moral. É tudo lamentável e triste. Temos a obrigação de ser solidários tanto com o povo da Palestina como com o Povo de Israel e críticos com o Hamas (grupo terrorista que ganha eleições) e com o governo de Israel. A postura de Israel não resolve nada. Torna-se proporcional à força que o Hamas ganha junto das vítimas palestinianas. PUTIN E A RÚSSIA Putin vai acabar mal. A sua estratégia de confronto com o Ocidente da Europa e Estados Unidos é suicida. A Rússia tornou-se uma Potencia. Só que agora é, ao contrário da Guerra Fria, uma Potencia Capitalista. E os russos não querem voltar para trás. O capitalismo precisa de mercados para vender e para comprar. Esses mercados, para os russos, estão principalmente no Ocidente. Logo a Rússia não tem nada a ganhar em estar mal com os seus clientes/vizinhos. Putin quer ser um Presidente da Guerra Fria num regime capitalista. Vai falhar. Pior mesmo é verificarmos que agora ninguém tem confiança em Putin. Perdeu a credibilidade porque mente com facilidade e constantemente e tem atitudes profundamente inacetáveis em democracia como invadir e anexar parte da Ucrania. A sorte de Putin – azar o nosso – é a União Europeia se ter transformado numa grande Suiça neutral sem voz e política comum. Essa fraqueza da Europa dá rédea curta ao senhor Putin. Para nosso mal, dele e dos russos. SUGESTÕES DE LIVROS PARA O VERÃO “Portugal, a Europa e o Atlântico” de João Carlos Espada. Um ensaio ao nível do que já nos habituou. Muito bom. “O economista insurgente”, de vários autores, uma autentica enciclopédia para respostas muito oportunas sobre Portugal. Bastante interessante. “Os 10 erros da Troika em Portugal” de Rui Peres Jorge. Muito equilibrado e sustentado este livro.

Paulo Neves