A dor da região lombar ou lombalgia é a causa mais frequente de dor em Portugal. Afeta todos os grupos etários e em especial o grupo entre os 40 e os 60 anos. Na maioria das vezes a dor é de curta duração e consequência de algum tipo de traumatismo, mas pode ser prolongada e tornar-se cronica com episódios frequentes de agudização durante o ano. Nestes casos implica consequências importantes em termos pessoais e sociais, com custos significativos em termos socioeconómicos. Para combater esta situação interessa agir desde cedo, quer nas situações agudas, quer nas situações mais arrastadas ao longo do tempo (crónicas). Podemos melhorar a dor mais aguda com repouso ou limitação de atividades mais exigentes em termos físicos ou criar condições de trabalho adequadas ao indivíduo, de forma a ter em consideração a sua dor e impedir que se torne prolongada ao longo do tempo (lombalgia crónica). Nem sempre a dor lombar é proveniente da coluna lombar. Pode ter origem noutros locais como a anca (articulação coxo-femural) ou a bacia. Em cerca de 15% dos casos não é mesmo possível determinar a sua origem. O diagnóstico é clinico pelo que interessa ouvir as queixas do doente e realizar depois o exame do indivíduo. A descrição da dor é muito importante na história clínica, pois pode ser muito esclarecedora em determinar a origem e as caraterísticas da dor. A realização do exame físico reveste-se de especial interesse na confirmação da sintomatologia, particularmente a realização do exame neurológico que permite determinar se há envolvimento das raízes nervosas que se originam nesta parte do corpo e que vão depois como nervos para os membros inferiores. Os exames complementares de diagnóstico de imagem como o Rx, a TAC e a RM e os exames funcionais como a EMG são importantes na identificação e confirmação do diagnóstico anteriormente suposto e no esclarecimento do envolvimento de raízes nervosas. A lombalgia pode ser inespecífica, isto é sem causa aparente e sem aparente envolvimento das raízes nervosas. Pode ter sintomatologia e envolvimento dos nervos que vão para os membros inferiores ou pode ser secundária a outras causas como tumores, infeções ou condições inflamatórias. Na prática a lombalgia inespecífica carateriza-se por uma dor do tipo moedeira localizada na região lombar e que se agrava quando se altera a posição ou se mantém a postura por períodos prolongados de tempo. A lombalgia com envolvimento das raízes nervosas resulta das situações de hérnia discal ou de compressão/aperto do canal lombar. Nestes casos, o doente define geralmente a dor como “sensação de choque elétrico e de ardor”, tendo uma localização preferencial ao longo dos membros inferiores. A dor agrava-se com o movimento e melhora com a posição sentada. No exame físico confirmam-se alterações do exame neurológico com os testes de tensão nervosa geralmente positivos. O prognóstico é favorável em 50% dos casos ao fim de seis semanas. Na lombalgia secundária é importante despistar sinais de alerta de um tumor, de uma infeção ou de fratura vertebral compressiva. Nestes casos o quadro clínico é determinado pela condição de base e o prognóstico dependerá da doença de base.
Filipe Antunes Fisiatra