Lê-se como um guião de uma telenovela, mas não é. Mete uma família poderosa e influente, uma das mais influentes do país, agora desavinda que o dinheiro começa a faltar. Mete lutas familiares pelo poder e comunicados sonsos e falsos.

Tem os ingredientes perfeitos para o prime-time, mas não é uma novela. É sério. Muito sério. E não é à toa que Pedro Santos Guerreiro, do Expresso, catalogou o caso BES/GES uma espécie de peste, com possibilidades de contágio infinitas.

Vê-se do nosso sofá episódio a episódio, com algum gáudio que a queda dos poderosos sempre provoca nos menos afortunados, mas não me parece que isto possa ter um final bonito de ser ver. É sério. E uma vez mais a pergunta: Como é possível que neste país, grupos económicos, empresás públicas, governos continuem a ocultar dívida e a esconder debaixo do tapete questões que só são lixo para as agências de rating. Anos a fio disto.

O regulador, os media, os comentadores, os opinion maker? Há assuntos intocáveis ou famílias intocáveis, como bem lembra João Miguel Tavares num artigo publicado esta semana no Público, onde dá conta que é de pequenos segredos como estes que vive o regime que nos trouxe até aqui.

Um grupo com seis mil milhões de dívida (qualquer coisa como a dívida da Madeira toda), grande parte vencida nos próximos meses. Muito poucas vezes comungo das ideias de Alberto João Jardim, mas nestes dias confesso que muito me tenho lembrado das "forças ocultas" que há anos, diz o líder regional, governam o país. Continuo é a não gostar que essa aparente verdade sirva para camuflar outros desvarios, mas isso é assunto para outra conversa.

Sandra Cardoso