No reinado de Miguel Albuquerque foi dado o pontapé de saída no “projeto” das hortas urbanas o que é considerado em grande medida como positivo. Entretanto algumas coisas têm vindo a ser feitas no sentido de “aperfeiçoar” a sua utilização disciplinando o que por lá se faz atentas circunstâncias de proximidade face a zonas habitacionais. Havia quem interpretasse o conceito como zona de lazer e por isso vá de fazer churrascos e consequentemente barulho o que perturbava os moradores. Não escamoteando o interesse que as referidas hortas têm para muitos dos seus “donos” há coisas que não lembra ao diabo. Vejamos, toda a gente entende que cada vez há mais munícipes a solicitar hortas - a vida não está fácil - e que a Câmara Municipal do Funchal vai expandindo o conceito que começou nas zonas altas, onde o impacto visual não é tão acentuado e já está na zona turística, entenda-se Estrada Monumental em plena zona hoteleira. Tanto quanto se sabe Albuquerque arrendou o respetivo terreno, que era um baldio, por uma batelada de euros para depois o “trespassar” aos funchalenses com veia agrícola, uns com verdadeiras necessidades e outros por mera carolice, ou seja passamos de um baldio turístico a hortas turísticas. No respeito por todos, inclusive pelo conceito mas também pela imagem turística que se dá entendo que se exagerou. As de que falo são um bairro da lata de madeira em prospero crescimento para mostrar ao mundo o nosso bom gosto ou quiçá ensinar a quem nos visita como é que se agarra na enxada. Será que não houve e não há o bom senso de perceber que há coisas que ficam bem nuns sítios mas mal noutros! Imaginem transformar a Quinta Vigia numa horta urbana. Desculpem, bem vistas as coisas até não era má ideia, aquilo não serve para muito e o impacto visual era bem menor. Aproveitávamos e cultivávamos revisões constitucionais, autonomias fiscais, estratégias para o país e para o mundo, nada de inventar coisas para a Madeira que isso foi o que foi feito nos últimos 39 anos. Não ficava mal à CMF repensar a coisa já que quanto à Quinta Vigia é um caso perdido.

Jaime Leandro Secretário-Geral do PS-M