Jordão Alexandre Falar de autonomia é invocar um assunto demasiado complexo e que tanto deu que falar nas agora Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores. Nos séculos XIX e XX ansiava-se por mais autonomia, sobretudo, com o propósito de ter mais liberdade administrativa, de forma a evitar certas burocracias que atrasavam o desenvolvimento regional. Os então distritos insulares necessitavam de obras públicas que trouxessem desenvolvimento e melhorassem as condições de vida dos seus habitantes. Porém, o grande problema da autonomia esteve sempre fortemente ligado ao problema financeiro. Por exemplo, quando são publicados, em 1928, dois Decretos-lei que permitem que a Junta Geral alargue a sua área de competências, um dos grandes entrave que não possibilita maior desenvoltura face ao Poder Central é a questão financeira. Inicialmente pensou-se que com o aumento das áreas de serviço também se ampliava a área de jurisdição da Junta Geral, as suas competências e, por consequência, a autonomia administrativa mas o grande problema é que se esqueceu que estes novos serviços, para além de terem rendimentos, também tinham despesas e que, a partir de então, essas despesas estariam sobre a tutela da Junta Geral. Atualmente, quando se fala de autonomia pensa-se logo em política, corrupção ou acabar com os políticos. De certa forma, talvez as coisas passem por aí, pela criação de um sistema mais justo e imparcial que não tome decisões baseadas em cores políticas nem em posições sociais. Que represente dignamente a verdade, que não se venda por tuta e meia e que seja capaz de resolver os problemas económicos, financeiros e sociais. É imprescindível melhorar e aperfeiçoar o actual modelo autonómico e para isso é necessário a consciencialização e educação da sociedade, evidenciado o legado histórico e o que de bom se fez na luta pela autonomia. Só assim podemos inverter a actual situação e ter uma sociedade mais ciente e empenhada capaz de lutar e criar soluções concretas para os problemas do arquipélago. Contudo, não devemos intentar na independência. Seria, de certa forma, caminhar para um abismo ainda maior do que aquele que já vivemos porque não possuímos condições que tornem esta opção minimamente viável.