Com as férias à porta e com a temporada de pista praticamente concluída, gostaria de deixar algumas considerações sobre a realidade do atletismo na nossa região.
Em primeiro lugar, salientar que a modalidade continua a ser uma das que mais praticantes possui, ultrapassando em larga escala os três mil atletas, entre federados e populares. Lembro que temos o evento desportivo regional onde participam, de longe, mais atletas madeirenses, falo da Volta à Cidade do Funchal.
Com um vasto calendário, englobando provas de pista, estrada, corta mato e montanha, são poucos os fins-de-semana durante o ano em que não há competições, levando o atletismo a todos os concelhos da Região Autónoma da Madeira. Porém, a nossa acção não se cinge à vertente competitiva, pois não esquecemos o lazer e principalmente o social, ajudando, directa ou indirectamente, instituições de solidariedade social.
Tem sido também norma, divulgar e promover a nossa Região em Portugal continental e no estrangeiro, sendo exemplos recentes os eventos realizados em estrada (Volta à Cidade, Meia e Maratona no Funchal e Porto Santo), pista (Taça da Europa e 10.000 mts) e montanha (Europeu a realizar no Fanal para 2015). De assinalar que estas competições têm trazido à nossa Região largas centenas de “turistas desportivos”, desde atletas, treinadores, dirigentes e outros acompanhantes a pagar, com benefícios evidentes para a economia local. Neste âmbito, realce também para as centenas de atletas estrangeiros que já vieram cá estagiar aproveitando o nosso clima e as condições do Centro da Ribeira Brava.
No plano desportivo, graças e muito aos nossos clubes, temos tido entre 4 a 6 equipas a disputar a 1ª Divisão Nacional, atletas madeirenses campeões nacionais e medalhados em todas as categorias (ainda no último fim-de-semana nos nacionais absolutos, Alberto Paulo, Joana Soares e Cristina Ferreira), presença de madeirenses nos 3 últimos Jogos Olímpicos, Europeus e Mundiais, treinadores madeirenses na selecção nacional, louvores e distinções através da Associação Europeia de Atletismo e Federação Portuguesa de Atletismo pela qualidade das nossas realizações.
Neste momento e após a grande machadada que foi o desaparecimento da pista dos Barreiros, sem o nascimento de outra no principal e mais populoso concelho da Madeira, a modalidade tem tido as suas competições de pista no complexo da Ribeira Brava, acarretando com isto elevados custos financeiros e logísticos. Graças ao grande esforço dos nossos clubes filiados, seus atletas e dirigentes, este tem sido um problema que, com maior ou menor dificuldade, tem sido torneado.
Com a recente opção do futebol do União em fazer do complexo da Ribeira Brava a sua casa, (há coisas que não entendo, dá-se milhões a clubes para complexos de futebol... para depois esses clubes irem jogar na casa alheia e fazendo disto uma obrigação) mais um problema se levanta ao atletismo, pois já começaram para nós as restrições ao uso das instalações da Ribeira Brava. A ver vamos se mais uma vez não somos escorraçados como nos Barreiros.
Perante o atrás exposto, o que é preciso fazer para a principal modalidade olímpica ser vista e reconhecida na Região no que respeita a instalações, com a dignidade que merece, e ter casa própria?
Uma palavra de gratidão à instituição militar RG3, único local na Madeira onde treinam e competem os lançadores de disco e martelo e temos, entre outros valores nestas especialidades, um recordista de Portugal, já várias vezes campeão nacional: Décio Andrade do G.D. Estreito.
Gozem bem as férias, pratiquem desporto e lembrem-se, o melhor das nossas vidas ainda está para vir.
Egídio Olim