1. A mãe de Cristiano Ronaldo – é por esse facto que Dolores Aveiro é conhecida do grande público – desdobrou-se recentemente em entrevistas nos principais órgãos de comunicação social do país, a pretexto do lançamento da sua biografia, recheada de percalços e de privações. Deu a conhecer o percurso de uma história difícil que terminou com o início do sucesso do seu filho jogador.

Dolores Aveiro não teve pejo em desfiar o filme da sua vida, contar as “desgraças” por que passou e mostrar o local pobre e sem condições onde Cristiano Ronaldo nasceu – a Quinta Falcão, em Santo António. Fê-lo sem sobranceria e de coração aberto, numa humildade bem característica das boas pessoas da Madeira. Isso transpareceu nas entrevistas televisivas, que evidenciaram as emoções que cada episódio da sua vida lhe provoca ainda hoje: a tristeza infinita pela morte precoce da mãe e a ida para o orfanato, que contrabalança pelo gosto pelo trabalho e pelo amor que dedica aos filhos.

Não fugiu a nenhuma pergunta mais pessoal ou incómoda, respondendo a todas elas com a frontalidade genuína dos que dispensam artificialismos para brilharem durante cinco míseros minutos no pequeno ecrã.

Muitos criticaram, sobretudo nas redes sociais, a postura de Dolores não poupando nos adjetivos que visavam, no fundo, apoucar um estilo frontal, combinado com um arreigado sotaque madeirense. Obviamente que a mãe do melhor jogador de futebol de mundo não está à espera das receitas do seu livro para comprar este ou aquele acessório exclusivo de uma loja da Avenida da Liberdade, em Lisboa. Dolores Aveiro demonstrou coragem em divulgar as suas origens e em expor, como disse e bem, “sem mágoas”, um passado agreste. A sua vida está alicerçada na família e, por ela faz tudo, movida pela esperança das verdadeiras lutadoras. Soube bem ouvir estas palavras, especialmente numa época em que valores tão nobres e distintos, como são os laços familiares, são esquecidos e subvalorizados.

A história de Dolores é a história de muitas mulheres simples e anónimas do país. A diferença é que ela conheceu um final feliz, sem nunca abdicar nem se envergonhar do seu passado, da sua origem e dos que a rodeiam. Um bom exemplo de perseverança e humildade. 2. Uma auditoria recente do Tribunal de Contas (TC) arrasou as contas do parlamento regional da Madeira. Através do documento, ficámos a saber que os deputados insulares são os que custam mais aos contribuintes, comparando com os dos Açores e os da República. Na Madeira houve um encargo anual global, em 2012, de 4 milhões 377 mil euros com a atividade parlamentar. 90 mil euros para cada um dos 57 deputados eleitos.

Nos Açores e no mesmo período de tempo a cifra desce para 15 mil euros e na República para 4 mil euros/deputado. De entre outras constatações efetuadas pelo TC existem situações verdadeiramente chocantes na utilização dos valores subvencionados para o apoio parlamentar . Segundo aquele tribunal há deputados que não prestam contas dos gastos realizados, existindo casos de verbas desviadas para os respetivos partidos.

Este quadro que já se arrasta há tempo de mais não credibiliza a Assembleia, os deputados e a própria autonomia regional, que é sempre vista como um sorvedouro de dinheiros dos contribuintes.

Os deputados, para variar, descartam-se de responsabilidades perante as acusações do TC, mas para o cidadão comum a ideia que trespassa é muito pouco amigável (para não utilizar outro termo) da atividade parlamentar.

Há que pôr cobro a esta situação escandalosa que envolve dinheiros públicos e à ideia de que tudo é permitido.

A culpa, neste caso, não pode morrer solteira. Doa a quem doer. P.S.: “Mais vale rir que chorar”, diz sabiamente o povo. E não é que o Tribunal Judicial do Funchal não conseguiu, esta semana, provar a “parcialidade” do Jornal da Madeira, no caso dos elementos do PND que invadiram as instalações daquele matutino? Ficámos todos a saber, desta forma, que afinal o JM (que é alimentado por dinheiros públicos) é um órgão de comunicação isento e plural, mesmo que publique numa só edição 20 fotografias do presidente do Governo e se recuse a dar notícias sobre a oposição. Mais palavras para quê? Paradigmático.

Roberto Ferreira