Os Açores conseguem liberalizar os transportes aéreos reduzindo tarifas e impondo um teto máximo para residentes e estudantes, enquanto a Madeira continua a ser uma das principais fontes de receita da Tap, no que pode ser considerado um autêntico assalto aos bolsos de residentes e estudantes madeirenses. Não se percebe mesmo como é que um governo que é de todo o território consegue deixar que uma companhia de bandeira faça o que faz com uma região que pertence a esse território. E também não se percebe porque é que o governo açoriano, sendo de um partido diferente do governo central, consegue fazer valer propostas tão importantes para o seu povo, enquanto o famoso Alberto João Jardim se vai arrastando de disputa em disputa, sempre com aquela boca larga do costume, a perder pontos e guerras numa batalha por uma revisão constitucional que só serviria uma autonomia de distribuição de tachos e privilégios.

Para, depois de tudo, na também famosa herdade do chão da lagoa, desatar a culpar os ingleses e o Blandy, a maçonaria e todo o povo que nele não votou nas autárquicas, pelas desgraças todas que a Madeira vive, viveu e, graças à ingratidão destes comunistas e ressabiados, viverá. Enquanto uns se babam na bendita espetada e ouvem os acordes da saga Carreira, irão ouvir-se as vozes do costume, abafadas pelos grupinhos de apoiantes e ressabiados, contratados e ensaiados ora pela fação jardinista, ora pelos candidatos a candidato. Agora nenhum presta para suceder a sua alteza, o único importante. Jardim deve estar a “endrominar” uma estratégia para, depois de sondagens que não são favoráveis às suas pretensões, virar o bico ao prego e tentar continuar naquilo para que se sente talhado: governar. Melhor, desgovernar! Porque o que tem andado a fazer nos seus artiguitos que tentam desbotar a face dos delfins, não passa de uma choradeira de um bebe que se vê a escorregar da cadeirinha e o biberão a ficar mais longe. Uns delfins que também não merecem o lugar de candidato a presidente do governo regional, umas criaturas que apenas descobrem os podres quando vislumbram o poder e cheiram que podem lá chegar. Quer dizer, ou muda muito ou só cheira um…

Uma semana depois temos mais um rali. Só com portugueses na lista de inscritos, sem o Armas para trazer os bólides, muito por culpa da estratégia do governo regional. Preferem dar um milhão para o golfe, desporto elitista e que não leva gente ao “green” como leva o rali. Mas passam por lá todos aqueles empresários que não têm tempo nenhum disponível mas que estão sempre prontos para a tacada, quanto mais não seja para aparecer na casa de chá com aquelas roupinhas que trajam os golfistas. É o que faz ter secretários regionais que vão saltando de secretaria em secretaria, numa escala de rotatividade que não tem nada a ver com competência. Nem com estratégia ou economia. Tem mais a ver com pessoas, gostos e necessidades pontuais, pouco pensadas, pouco trabalhadas e pouco discutidas.

E mais um alerta para o Jardim do Mar. A vereda pôr-do-sol continua ocupada por materiais de construção. Os muros servem de armazém para ferro, madeiras, carrinhos de mão e outros. A junta de freguesia está a dormir ou é cúmplice de proprietário deste vergonhoso estaleiro. E ninguém faz nada. Deve ser importante, o fulano.

Paulo Gomes