Infelizmente a cultura neste país não tem evoluído. Muito pelo contrário tem vindo a regredir décadas e décadas, pela falta de sensibilidade dos nossos governantes no que concerne às artes e por outro lado pela mesquinhez existente entre os artistas, os agentes e as instituições culturais. Uma verdadeira mudança não está em dividir para reinar, mas sim na união para obter a força e desta forma surgirem projetos com consistência, ganhando rigor e qualidade. Na Madeira e mais concretamente na sua capital, na área das artes plásticas restringe-se a um deserto cultural, quando os primeiros cursos superiores que existiram nesta Ilha até foram os cursos das artes plásticas, tornando-se ainda mais incompreensível este vazio. Neste momento no Funchal não existem espaços condignos, dinâmicos e com uma programação a longo prazo por forma a que os artistas possam expor as suas criações. Antes ainda tínhamos a Galeria do Turismo estrategicamente bem situada. No entanto esse espaço foi fechado por caprichos de alguns políticos que têm vindo constantemente a destruir projetos com história cultural. A recuperação do antigo ISAD/ISAPM na rua da Carreira e o matadouro do Funchal seriam na minha opinião dois espaços estratégicos para o surgimento de novos projetos artísticos. Sabemos que os tempos são difíceis e com certeza não é nada fácil governar nestas circunstâncias, mas esta crise muitas das vezes pode servir como uma bengala para justificar a inércia, o preconceito, a falta de empenho, a falta de critérios no que se refere à resolução de dar uma devida utilidade a estes e outros espaços que se encontram desocupados, abandonados e que são lugares de memória coletiva e com muita potencialidade para a valorização da cultura na nossa região. Não percebo o porquê da UMa, em parceria com a Câmara Municipal do Funchal e outras identidades não tentarem recuperar e dinamizar o antigo ISAD/ISAPM na rua da Carreira como polo de promoção das artes plásticas sabendo que as condições físicas da Universidade da Madeira em relação aos alunos das artes nunca foram as condições desejáveis e condignas, estando a maior parte dos ateliers nas catacumbas do edifício faltando a energia da luz solar. Em relação ao matadouro do Funchal já ouvi demasiadas sugestões políticas desde 2008, cabendo à atual Câmara Municipal do Funchal a realização de um concurso não para recolher mais ideias, mas sim para escolher o melhor projeto tendo em conta a situação económica e cultural da cidade. As propostas dos nossos governantes ao longo destes últimos tempos foram as seguintes: transformação deste espaço numa Biblioteca Municipal integrada na Rede Nacional de Bibliotecas, tendo sido considerado um dos projetos mais importantes nas celebrações dos 500 anos da cidade, na presidência de Miguel Albuquerque e posteriormente foi proposto para um Centro de Arte Moderna ou Centro da Arte Deco da Coleção Berardo; espaço dedicado às artes plásticas, à música e as artes performativas proposto pelo candidato do PSD Bruno Pereira à Câmara Municipal do Funchal; transformação num espaço Cowork proposto por Paulo Cafôfo, então candidato à Câmara Municipal do Funchal pela coligação Mudança. E por fim transformar o espaço num museu para os carros de luxo(perdão!) carros antigos e clássicos da Madeira, proposta feita pelo atual presidente da Câmara do Funchal. Como cidadã, como professora e artista gostaria que o ISAD/ISAPM fosse recuperado e viesse a funcionar em pleno valorizando a cidade do Funchal, com as artes, sendo esta uma mais valia para a UMa obter fontes de receita e de credibilidade, tendo em conta que no outro lado da rua teremos um renovado e ampliado museu Photographia - Museu Vicentes. Em relação ao matadouro do Funchal em vez de ser um museu para os carros clássicos da madeira porque não o Museu do CowParade é o maior e mais bem sucedido evento de arte pública no mundo e até tem muito haver com as origens do local (risos!). Por favor, vamos dar credibilidade à cultura porque as pessoas merecem e carecem. Boas férias!

Patrícia Sumares Professora