Um campeonato do mundo do melhor que já vi. Emoção e qualidade. Os amantes de futebol estarão satisfeitos. Já chorámos a nossa sorte. Esperamos reação urgente e apontemos armas á França em 2016. Portugal já provou que tem capacidade. Eu acredito. Mas no melhor pano cai a nódoa. E caíu e não foi a FIFA. Falo de Luís Suaréz, enorme talento Uruguaio jogador do Barcelona. A ação de morder um adversário é condenável e, reincidente, não pode ser tolerável. A FIFA, independentemente de fatores intrínsicos da personalidade do jogador, não poderia fazer outra coisa e aplicou-lhe castigo que considerou adequado. Ficou tudo resolvido? Pensava, eu, que sim. Perplexo e incrédulo constato que no Uruguai, ações destas, são motivo de orgulho do povo. O “mordedor”, expulso do Mundial, regressa a casa em avião privado e recebido no aeroporto do seu País por milhares de fãs. Bem, como o futebol move paixões cegas e incompreensiveis aos costumes e valores tradicionais não me custou aceitar como mais uma manifestação radical, percebendo a voz do povo “ há gente para tudo”. Mas eis que, entre os demais, surge no aeroporto para receber o “mordedor” com honras de herói nacional o Presidente da República Oriental do Uruguai. Por se tratar de uma democracia constitucional o Presidente cumpre o papel de Chefe de Estado e de chefe do Governo. Ao que isto chegou. Não vale tudo no futebol. Na política também não. Percebamos isso. A promiscuidade entre o futebol e política é sol de longa data. Mas aqui é demais e a todos os títulos reprovável que nem um prémio Nobel de “Estupidez” justificaria ações patéticas deste calibre. No meio 3,5 milhões de cidadãos Uruguaios não existe, um, com bom senso? Parece que não, se um Presidente da República tem uma postura assim, percebo a qualidade do país na comunidade internacional. Acresce que 88% da população possui ascendência Europeia. Eu até simpatizava com o Uruguai. Um País com cerca de um terço da nossa população a ombrear com as potências mundiais. Campeão do Mundo 2 vezes. É o segundo País mais pequeno da América do Sul, sendo somente maior que o Suriname. É considerado o 2ª País menos corrupto (1º Chile) e um dos mais desenvolvidos economicamente. Foi pioneiro em medidas de direitos civis. O Estado reconhece o casamento civil em 1861. Primeiro país a legalizar o divórcio em 1907. Em 1932, 2º país onde as mulheres passam a votar. Em 2007 torna-se no 1º pais a legalizar as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo e a permitir a adoção homoparental. Mas assim não há ombro italiano que resista. Quem não sabe perder não merece ganhar e decididamente espero nem vê-los em competições internacionais.
Francisco Costa, Técnico de arbitragem