João da Silva Os alunos da Madeira e do Porto Santo têm optado por ficar na Universidade da Madeira, muitas vezes, em cursos para os quais não estão vocacionados, porque a maior parte dos seus pais não têm possibilidades financeiras para os colocar nas universidades do continente.

O principal problema prende-se com os transportes entre a Madeira e o território nacional. Os nossos estudantes pagam o mesmo valor por um bilhete de avião igual a qualquer adulto que viaje entre a Madeira e Portugal Continental.

No Natal, na Páscoa e no Verão, chegam a pagar entre 300 e 500 Euros por bilhete. Será que nenhum governante vê esta situação injusta e intolerável?

Quando a Senhora Secretária Regional do Turismo, Cultura e Transportes negociou com o Governo da República, o valor dos bilhetes para os madeirenses e portossantenses, entre os dois territórios não defendeu os estudantes, porquê? Provavelmente, porque já não tem filhos a estudar no continente ou porque é contra os estudantes que pretendem prosseguir os seus estudos fora da Região.

Hoje, muitos governantes lamentam-se que os jovens não gostam da política e dos políticos ou então, ficam revoltados por estes aderirem a movimentos de cidadãos ou a outros partidos fora da governação.

No meu tempo de jovem estudante e todos os que estudavam em universidades portuguesas do continente, tínhamos bilhetes diferenciados. Nem pagávamos 50 % do valor total de um bilhete.

Com a crise que vivemos, penso que esta situação das viagens ao se manter, vamos “perder” bons cérebros, porque tiveram a infelicidade de nascer no seio de famílias pobres e humildes e sem possibilidades financeiras para suportarem as despesas com o ensino superior dos seus filhos.

Espero que o próximo Governo Regional resolva este problema dos jovens madeirenses e portossantenses, oferecendo a estes, as mesmas possibilidades para estudarem no continente.

Só com governantes sensíveis a ajudar os mais necessitados, será possível termos uma sociedade mais equitativa e mais culta.