Na disputa interna em curso no PSD Madeira, se bem que ainda numa fase ainda não formal, e ao contrário do que se esperava, surgem certezas daquilo que até há pouco seriam sinais indesejáveis. Valha-nos que a manobra se reduz a um candidato a candidato ou de uma candidatura que não terá outro propósito que não o de animar e antecipar a silly season, ou eventualmente servir de lebre em concertação. Inusitado despropósito quer de forma quer de conteúdo, incoerência e alguma alucinação a tender para a distorção barata, não irão certamente longe nem serão tomadas a sério. E se é em favor de alguém, esse alguém será desvalorizado ao recolher ou acolher tamanha insensatez. Junte-se a incongruência de estar e estar contra o estar, em estado de negação, mesmo que falando e escrevendo a torto e a direito dia sim dia sim. Será que se consegue convencer a si próprio?. Será candidato ou “sniper”?
Não fora a selectividade de alvos, até se aceitaria a coisa como um estado de espírito típico do evoluir dos tempos e da erosão mental que a todos toca, com maior ou menor violência ou evidência. Se, porventura, fosse um estado natural, aceitar-se-ia, compreensivamente, e com a respeitabilidade que é devida à decadência natural das coisas humanas. Mas não. Há como que um bloqueio centrado em dois atractores, coisa rara mas que a física explica. Um é a moda. Hoje é “cool” bater e rebater em determinados alvos, sobretudo se estes nem no perímetro se encontram. O outro, só se justifica pelo receio. Toca a bater em tudo o que mexe, faz sombra ou assusta, sobretudo se caminha para mais do que aquilo que se é.
Pequenez, muita. Para tal, escolhe-se temas fáceis, a mentirinha de algibeira, o slogan ao gosto do freguês, até a memória do que nunca foi, e tudo o mais que sirva para atacar os adversários que são companheiros, afinal. Que nem tudo o que foi planeado ou feito foi bem feito, estamos de acordo. Só quem faz é que é também capaz de fazer mal feito. Mas, onde andou este bardo durante tantos e tantos anos para só agora descobrir tanta coisa mal feita e ainda por cima sempre mal feita pelos mesmos?. Quantas vezes se levantou para votar contra? Estas coisas que diz mal feitas não estavam afinal nas listas de projectos apresentados a sufrágio e aprovadas nos programas de governo, planos e orçamentos regionais, na assembleia regional? Já quanto às dívidas de entidades empresariais públicas, naturalmente que são como nas privadas. O capital próprio não chega e a dívida é, naturalmente o recurso, tal como o fazem as famílias.
De qualquer modo, é legítimo dizer-se o que se pensa, mesmo que seja o dizer que se pensa mal de alguém. Felizmente isso é possível porque vivemos em liberdade e democracia. Já o mesmo não é distorcer a realidade. Um exemplo bem ilustrativo desta manobra de distorção é dizer-se que os piores anos de afirmação em termos de resultados para o PSD M foram a partir de 2000, até 2013. Basta olhar para os resultados de 2007 que deram mais de 90.000 votos ao PSD M, nada mais do que a maior votação de sempre. E indexar os resultados posteriores à argumentação medíocre que se tem vindo a observar só pode ser uma de duas coisas (ou pior ainda, as duas ao mesmo tempo). Incapacidade de análise e incompetência política ou, algo que não vale a pena referir porque há que manter algum nível.
Vale que a decisão sairá da cabeça e coração de cada um, em consciência e não dos ditames de qualquer insanidade insondável. E a escolha será sempre entre candidatos porque ninguém gosta de ser orientado por um “sniper”.
António Domingos Abreu