Quer queiramos quer não, vivemos num país onde muito pouco de bom abunda e as únicas coisas que nos sobram são faltas. Faltas essas para todos os gostos!

falta de sensibilidade- o horário das visitas no hospital é já um problema recorrente e que teimam em não resolver. Passámos do 80, regime de porta aberta (com o qual também não concordo), para o 8, que permite visitas apenas durante três horas por dia a quem infelizmente se vê retido num local de onde todos procuram fugir. Anda o Diretor Clínico do Sesaram constantemente ocupado com as obras e nos curtos intervalos lá se entretem com estas alterações. Espero sinceramente que o Dr nunca precise lá estar e ser visitado! E se, infelizmente, assim for proponho que se dirija a uma clínica que “conheça” pois garanto que seria nessas horas que mais quereria ter alguém consigo e não iria poder. Haja bom senso!

falta de jeito- para tentar amenizar esta nova “lei” e após alguma turbulência, abriu-se uma excepção para o apoio ás puérperas. Mas o apoio que à partida deveria ser prestado pelos companheiros das mães ou pais das crianças foi substituído pelo dos avós maternos! Só pode ter sido “brincadeira” da pediatra que assinou o despacho como Presidente do Conselho de Administração do Sesaram. Curiosamente foi das suas primeiras (senão a primeira) aparições e logo para ficar mal na fotografia . Haja bom senso!

falta de meios- neste caso de transporte! Foram entregar ambulâncias a Santana. E para garantir público toca a “obrigar” os funcionários do centro de saúde a estarem presentes na cerimónia à qual até se apresentou o Director Clínico do Sesaram (não deveria ter ido a chefe?! Ou estava já ocupada com o despacho dos pais das puérperas?). Como se isto não bastasse, aproveitou-se para enaltecer a “brilhante” decisão de fechar os centros de saúde à noite pois «90% dos atendimentos eram “bebedeiras”» na voz do Dr Alberto João Jardim. Acredito que sim, mas atenção que foram esses embriagados que foram lá colocar o voto na urna vezes sem conta sempre “com a mesma”. Se eles começam a ressacar podem trazer-lhe amargos de boca. Haja bom senso!

falta de rotinas- se há coisa de que o Sr Presidente do Governo Regional não se pode queixar é de rotinas! Ora está cá... Ora está em parte incerta!!

Dizem que são viagens a Bruxelas e numa das últimas queixou-se mesmo da TAP e dos seus atrasos. Cuidado sua excelência. Para quem não tem asas, está a arriscar-se a que o ponham a bordo daquele avião que deixou peças aquando da descolagem em Lisboa há bem pouco tempo. Haja bom senso!

falta de paciência- o ainda presidente do PSD-M dizia, não tem muito tempo, «não estou para aturar a burguesia tonta desta terra». Pois é, mas foi essa classe dominante que tantas vezes protegeu e foi protegida que nos trouxe até aqui para o bem ou para o mal! Só não percebo é se esse súbito cansaço não se deve ao facto dessa mesma gente ter demonstrado já se ter fatigado de si e agora sentir-se traído e sozinho. Haja bom senso!

falta de matéria prima- tive oportunidade de ver o jogo-treino entre Marítimo e União no estádio dos Barreiros. No meu União não parece haver carências de qualquer estirpe... Equipa bem “montada” e mais um campo relvado (não sei bem para quê)! Já com o Marítimo fiquei preocupado.

Não há balneários no campo onde em breve irão competir. Mas também jogadores dignos desse nome só lá têm três ou quatro pelo que podem muito bem já ir equipados de casa. Haja bom senso!

falta de condições- por piores que sejam os aposentos e os meios de subsistência, nada pode permitir que se encene um caso como o do Daniel! Ainda foram os supermercados levar comida a casa e o governo prontificou-se logo a dar um novo lar à família desprotegida. Dessem mas era trabalho!

Assim estavam ocupados e sem tempo para engendrar imbecilidades com os próprios filhos. Bastava não se terem zangado as comadres para a esta hora continuarmos feitos asnos. Aguardo, curioso, a decisão da justiça. Haja bom senso!

falta de tempo- é o que alegamos para não fazer aquilo que nitidamente não nos apetece. Mas isso é coisa de que não me posso queixar após o nascimento da minha filha. Os dias ganharam horas. Já passam das três da manhã e aqui estou eu a escrever estas linhas enquanto ela se delícia com mais uma refeição deixando-me assim concentrar sem aquele ruído de fundo que é o choro de um recém nascido e que já não me sai do ouvido! Não lhe posso pedir bom senso, para já!

E muitas mais faltas existem que sobre as quais poderia aqui me debruçar , mas a Eduarda já dorme e vou aproveitar também para fechar os olhos...

Temos comprovadamente falta de tudo e mais alguma coisa! Curiosamente, para todas elas, nada mais era preciso do que bom senso! Mas até isso nos falta...

Pedro Nunes