Zeca Afonso dizia que “o que faz falta é animar a malta”. Nesta altura do campeonato, este país de brandos costumes – e esta ilha de costumes ainda mais brandos – parecem adormecidos, pela época dos arraiais e à sombra de um campeonato de futebol que premiou o trabalho de equipa sobre as estrelas (que grande lição de vida…). Obedece-se ao velho princípio romano de panem et circensis, pão e circo, para manter o povo contente. Enquanto houver futebol e arraiais o pessoal não pensa demais nas agruras da vida e nas consequências das opções – as suas e as dos outros. Cristiano Ronaldo e Pestana preparam-se para abrir novo hotel no Funchal. Será que é mesmo de outro hotel que precisamos? Independentemente do que Cristiano Ronaldo possa trazer de novo à hotelaria, não chegamos ainda à conclusão que este é um jogo de soma zero? E que todos os ganhos de um serão feitos à custa de perdas de outro? Que mais um hotel ainda vai diminuir mais as taxas de ocupação e de rentabilidade de um já moribundo sector? O turismo ainda é o que mantém a ilha a funcionar, e por isso terá de ser acarinhado. Não digo “mais” acarinhado, porque ultimamente não o tem sido. Temos assistido a uma sucessão de tiros nos pés, de discursos cheios de soberba, de “tudo corre bem”. Mas quando se entrevistam hoteleiros as respostas são invariavelmente “podia ser melhor”, “precisamos de melhor promoção”, “precisamos de mais e melhor resposta da tutela”. E todos se queixam de muito betão, demasiado betão. A tutela do turismo tem de ser entregue a quem sabe de turismo. Obviamente que terá que ter gestores, mas o turismo precisa de mais “coração” do que aquele que resulta dos números. Vamos lá “animar a malta” que trabalha em turismo, e que precisa de mais operacionais a administrar o sustentáculo da economia madeirense… [email protected]
Roberto Loja