Antes de começar a descrever propriamente as delícias que o verão nos trás, devo dizer que não acho que tenhamos inverno nesta Pérola do Atlântico! Temos, quando muito, uma ligeira descida de temperatura nos meses em que o sol nos visita menos prolongadamente. Sim, concordo, estou-me a referir às zonas situadas a cotas relativamente baixas, porque nas montanhas a sério, reconheço que o termo inverno pode ser pertinente. Assim, qualquer altura do ano é apropriada para o que resumidamente descrevo. Dito isto, agora que os dias são maiores, que os mais novos estão de férias, que os jovens regressam das suas lides académicas e que mesmo os mais velhos, também tentam aproveitar ao máximo a excelente temperatura, quer ambiente quer do mar, é com enorme alegria que, cada vez mais, encontro pessoas, um pouco por toda a ilha, a desfrutarem daquilo que a Madeira tem de melhor e único: natureza! Para tal, há quem simplesmente calce umas sapatilhas e percorra vales e montanhas. Milhares de quilómetros de veredas, serpenteiam por entre vegetação subtropical, deslumbrando sempre como se fosse a primeira vez que a vista poisava sobre semelhante prodígio natural. Outros procuram aqueles locais onde a água foi rainha e senhora durante milhares de anos, criando vertiginosos caminhos que desafiam a gravidade, desde o coração da ilha até ao mar. Os amantes da velocidade e adrenalina, fazem das duas rodas o seu instrumento de descoberta, encurtando distâncias antes percorridas a pé, numa simbiose perfeita entre a natureza e uma das mais fabulosas máquinas concebidas pelo homem. E o que dizer daqueles que fazem companhia às aves nas alturas, partilhando com estas, correntes de ar que os levam para lá das nuvens? Nas nuvens, andam aqueles que deslizam em locais onde são as montanhas liquidas que ditam as regras! E, finalmente, para maior alegria de todas, posso dizer que já não vou para o mar sozinho! Creio ser consensual que é também por aqui que a Madeira pode-se afirmar. Existe uma estratégia clara nesse sentido? Ainda não. Mas para lá caminhamos. Com passos pequenos, nem sempre certos, muitas vezes subtis. Mas é inevitável e irreversível. As novas gerações assim o exigem. E merecem!
João Rodrigues Atleta olímpico