Há mulheres que na sua simplicidade deixam uma marca indelével, de enorme valor humano, fazendo o bem aos outros, dedicando-se a causas nobres, a favor dos demais, sem quererem nada para si. São mulheres que não precisam de condecorações, insígnias ou apetrechos de qualquer tipo, para que sejam reconhecidas como seres humanos com uma grande alma e um coração nobre. Ontem foi o funeral de uma dessas mulheres madeirenses, que nos deixou sem avisar, sem se despedir, sem apoquentar pensamentos dos que mais próximos dela estavam. Até na morte silenciosa e inconsciente, não quis que as atenções se centrassem nela, pois afinal tinha dedicado uma grande parte da sua vida a educar os outros, enquanto professora de centenas de crianças e jovens da nossa terra, a apoiar causas nobres, fazendo o bem, na sua missão durante décadas nas Conferências de São Vicente de Paulo, e, nos últimos anos, na sua empenhada procura em arranjar donativos para a construção de uma escola secundária digna, para ajudar milhares de crianças de Madagascar, na Diocese de Mananjary, onde é bispo o nosso conterrâneo e digníssimo bispo, D. Alfredo Caires. A senhora professora D. Maria Manuela Nunes de Freitas Fernandes Serôdio, deixou uma obra solidária que não precisou dos focos da comunicação social ou de louvores dos governantes, para merecer uma homenagem simples da parte dos canicenses, em particular, e, em geral, dos madeirenses e portosantenses (onde igualmente era alvo de grande apreço e carinho); procurava agir para ajudar e não para que lhe agradecerem o que fazia, como ela sempre dizia! São estas mulheres que a memória não esquece; são obras sociais como aquelas que deixou a D. Manuela Serôdio que os jovens da nossa terra se lembrarão um dia e milhares de crianças de Madagascar lhe agradecerão, todo o seu empenho por esta causa enorme que culminou na construção de infra-estruturas de educação numa terra insular tão longínqua no continente africano. Como amigo e familiar, louvo a esposa, mãe e avó que procurou sempre ser, assim como o facto de ter dado tanto de si aos outros, sobretudo através das causas sociais, e ter pedido tão pouco para si própria. Também, na coisa pública, desempenhou com enorme honra os cargos autárquicos hasteando a bandeira da democracia-cristã e dos valores e princípios do CDS. Deus está certamente consigo, a partilhar com alegria o seu enorme sentido de humor e agradecido pela missão que desempenhou.
Lopes da Fonseca Líder parlamentar do CDS