O PSD-Madeira deixou-se liderar por um homem só durante mais tempo do que aquele que o próprio país consentiu Salazar, mas agora, de rompante, encontrou meia dúzia de sucessores, meia-dúzia mais um, pois o próprio continua na corrida. Não há fome que não dê em fartura.

Entre tantos candidatos não há um único que não tenha sido obra do jardinismo e que esteja livre dos interesses político-económicos que desgraçaram a vida dos madeirenses. Comecemos pelo primeiro, Miguel Albuquerque fez a sua carreira ao colo deste regime, deixou uma dívida sufocante de quase 100 milhões de euros no Município Funchalense e só começou a levantar a voz contra Jardim quando, depois de 20 anos na Câmara, precisou encontrar um futuro para não ser um “desempregado da política”. Sérgio Marques, outro candidato contestatário e que diz querer uma rutura com o passado, foi a escolha de Alberto João Jardim para a sua Comissão Política Regional, para seu Eurodeputado, para seu Diretor Regional e também para seu Deputado Regional. Mesmo depois de afastado do lugar dourado na Europa, Sérgio Marques voltou a ajudar nas estratégias de Alberto João Jardim, aceitando ser candidato à Câmara do Funchal para contrariar a escolha de Bruno Pereira por parte de Miguel Albuquerque (pouco tempo depois Jardim descartou novamente Sérgio Marques para aceitar Bruno Pereira já que este traiu Miguel Albuquerque para vir a ser o candidato do PSD à Câmara do Funchal). Jaime Ramos, o mais recente candidato, é a caricatura mais boçal do regime jardinista e tudo indica ser o mais importante trufo que Miguel Albuquerque esconde dentro do seu armário de esqueletos, aliás, ter-lhe-á sido fundamental para quase ter conquistado o PSD-Madeira a Jardim nas últimas eleições internas. Miguel de Sousa, o candidato sozinho, viveu e continua a viver do jardinismo mas não perdoa a Alberto João tê-lo enganado há 25 anos com a conversa, a mesma que fez a todos, de que seria o seu sucessor. Cunha e Silva, o candidato que já sabe sorrir, não gosta que os restantes critiquem as asneiras que o PSD-Madeira tem feito, em particular as que são da sua lavra, nomeadamente as sociedades de desenvolvimento e a dívida megalómana, e acha, com razão, que essa lama também lhes irá cair em cima. Manuel António, a escolha de Alberto João Jardim, mas que já não o é, aprendeu que governar é distribuir subsídios europeus, dizendo que são seus, e deixou a agricultura da Madeira definhar e enredar-se em burocracias.

Pois é, no PSD-Madeira andam os rotos a falar dos esfarrapados, dizendo uns que são melhores do que os outros, mas vêm todos das asas da mesma galinha choca.

Hélder Spínola