J.F. Domingo, 12. Três da manhã. Cerca de 35 jovens à porta da discoteca JAM, na Av. Sá Carneiro. O acesso a este estabelecimento foi-nos negado com base em explicações muito vagas e sem coerência. Não éramos menores de 16 anos e muito menos alguém se encontrava alcoolizado, para que não restem dúvidas. A antipatia do porteiro fazia adivinhar uma noite difícil em que só nos restava, naquela zona, a discoteca MARGINAL que é pequena, estreita e muitas das vezes está cheia de mais. Consta-nos que houve reclamações do comportamento de alguns jovens que desrespeitaram, erradamente, pessoas mais velhas e, por acaso, clientes antigos da casa, sendo esse o motivo para que agora nos neguem a entrada – estão a tomar uma parte dos jovens pelo todo.

O aspeto mais velho é agora critério de escolha para a entrada no recinto, porém, quero vincar que não é o aspeto que define a maturidade.

Alegam que é diferente ter 40 ou só 5 jovens dentro da discoteca, no entanto, questionados sobre o critério de escolha desses 5 que já lá estavam dentro em detrimento de outros quaisquer 5 que estavam na rua, disseram que nada tínhamos a ver com isso. Caros senhores, a resposta não nos satisfez. Como podem ser justos e respeitar a igualdade que nós - até agora vossos clientes - julgamos merecer, se a entrada na discoteca é uma desorganização completa? Nunca, em discoteca alguma de Lisboa (a minha (in)experiência de vida não me permite falar mais), com 20 vezes mais nome que esta casa, se entra sem ser em “fila indiana” e, quando se recusam a nos deixar entrar (porque acontece aqui e em todo o lado), NÃO HÁ EXCEPÇÕES (ou, se as houver, não se passam “debaixo do nosso nariz” como connosco fizeram).

Não há 5 que podem entrar porque são filhos de x ou y, porque são amigos deste ou daquele porteiro, como se assistiu nesta noite (e importa referir que as pessoas em causa tinham um aspeto muito mais novo!). Não deviam entrar, tal como os outros que se encontravam na rua não entraram, sem mais. Precisarei de arranjar uma cunha para sair à noite? Uma casa que quer primar pela exclusividade do seu espaço não tem de proceder a este género de discriminação sob pena de perder o bom nome que ainda mantém entre a minha geração (sou da geração à rasca). Os velhos clientes da casa certamente começaram a frequentá-la nos seus vintes e ainda hoje a frequentam porque as memórias são boas. Eu infelizmente não me vejo a criar boas memórias daqui para a frente. Irei voltar daqui a vinte anos? Quem sabe... Ou serão as minhas memórias criadas nos novos e convidativos espaços que têm vindo a abrir recentemente no Funchal e que com esta medida vão aumentar a clientela jovem, como nesta noite de Sábado para Domingo?