O rendimento escolar não é o único fator que importa ter em conta Nos últimos dias, todos os que possuem ligação ao mundo escolar (não sobram muitos) direta ou diretamente falam sobre “notas”, classificações, resultados de exames, sucesso ou insucesso académico. Encontramo-nos envolvidos na análise/reflexão sobre esta realidade cuja intervenção baseia-se, na maior parte das vezes, na perceção que temos dos fatores, dos processos, das caraterísticas e das atribuições consideradas cruciais para explicar o rendimento e o desempenho escolar. De facto, se durante muitas décadas, o sucesso académico era sobretudo designado pelo rendimento escolar dos alunos, hoje em dia este conceito tem vindo a esbater-se. Se é verdade que o sucesso académico está, de modo intrínseco, ligado ao desempenho escolar dos alunos, não se pode apenas considerar as notas ou classificações obtidas, mas todo o processo educativo do aluno ao longo do tempo. É evidente que o rendimento escolar é extremamente relevante para compreender se um aluno consegue ou não alcançar o sucesso académico, mas não é o único fator que importa ter em conta. É igualmente importante atender a outros que têm grande influência, nomeadamente os de ordem pessoal, pois os aspetos afetivos e motivacionais são tão ou mais preponderantes do que as capacidades cognitivas, para que de uma forma equilibrada e integrada o aluno consiga alcançar o sucesso académico. Assim, esta natureza multifacetada do sucesso, permite entendê-lo, não só no domínio académico (aptidões), mas considerar também as suas dimensões motivacionais, ou seja, o interesse do aluno para aprender, para estudar e a capacidade de esforçar-se para atingir esse sucesso académico. Nesta linha, o sucesso é entendido como a razão entre os objetivos (o que se pretende atingir) e os resultados (o que efetivamente se obteve e conseguiu) e exige não só a capacidade de processar as informações disponíveis, como também uma atitude apropriada na sua utilização. Deste modo, as caraterísticas motivacionais têm vindo a ganhar cada vez maior relevância no que diz respeito ao sucesso académico, pois existe uma relação (vários estudos demonstram esta realidade) destas caraterísticas no desempenho académico dos alunos, o que se concretiza no atingir do sucesso académico por parte destes. A motivação é, então, fundamental e deve estar sempre presente. É o aspeto dinâmico do agir e carateriza-se por uma “espécie” de energia que leva a um esforço para atingir determinado objetivo, através de uma escolha seletiva e atenta das informações e dados relevantes, e à organização de uma sequência lógica de estratégias que levam à ação, não desistindo dessa ação até que as metas definidas inicialmente não sejam atingidas. Então, motivar em educação consiste na criação da necessidade da aprendizagem e da ação. É fazer com que os alunos encontrem por si mesmos motivos para aprender, para se aperfeiçoarem, para se descobrirem, para desenvolverem e rentabilizarem as suas potencialidades e capacidades. Esta motivação vai sendo estimulada pela curiosidade e interesse, pela busca da mestria e da competência, pela preferência pelas tarefas desafiadoras, pelo sentimento de satisfação consigo próprio (autoestima), pela expetativa de que é possível, através do esforço pessoal, realizar tarefas, concretizar objetivos e alcançar resultados (autoeficácia). Será, porventura, necessário centrar mais a atenção nestes aspetos motivacionais e criar condições para que estes surjam, procurando perceber o porquê de muitos alunos demonstrarem desmotivação face à aprendizagem e à escola. Há, portanto, lugar para o sucesso académico enquanto indicador de desempenho, completamente integrado no processo educativo global do aluno e que, por isso, não pode ser nem negligenciado e menosprezado, nem obsessivamente valorizado. Marco Gomes, Director Pedagógico da APEL
O rendimento escolar não é o único fator que importa ter em conta
Nos últimos dias, todos os que possuem ligação ao mundo escolar (não sobram muitos) direta ou diretamente falam sobre “notas”, classificações, resultados de exames, sucesso ou insucesso académico. Encontramo-nos envolvidos na análise/reflexão sobre esta realidade cuja intervenção baseia-se, na maior parte das vezes, na perceção que temos dos fatores, dos processos, das caraterísticas e das atribuições consideradas cruciais para explicar o rendimento e o desempenho escolar. De facto, se durante muitas décadas, o sucesso académico era sobretudo designado pelo rendimento escolar dos alunos, hoje em dia este conceito tem vindo a esbater-se. Se é verdade que o sucesso académico está, de modo intrínseco, ligado ao desempenho escolar dos alunos, não se pode apenas considerar as notas ou classificações obtidas, mas todo o processo educativo do aluno ao longo do tempo. É evidente que o rendimento escolar é extremamente relevante para compreender se um aluno consegue ou não alcançar o sucesso académico, mas não é o único fator que importa ter em conta. É igualmente importante atender a outros que têm grande influência, nomeadamente os de ordem pessoal, pois os aspetos afetivos e motivacionais são tão ou mais preponderantes do que as capacidades cognitivas, para que de uma forma equilibrada e integrada o aluno consiga alcançar o sucesso académico. Assim, esta natureza multifacetada do sucesso, permite entendê-lo, não só no domínio académico (aptidões), mas considerar também as suas dimensões motivacionais, ou seja, o interesse do aluno para aprender, para estudar e a capacidade de esforçar-se para atingir esse sucesso académico. Nesta linha, o sucesso é entendido como a razão entre os objetivos (o que se pretende atingir) e os resultados (o que efetivamente se obteve e conseguiu) e exige não só a capacidade de processar as informações disponíveis, como também uma atitude apropriada na sua utilização. Deste modo, as caraterísticas motivacionais têm vindo a ganhar cada vez maior relevância no que diz respeito ao sucesso académico, pois existe uma relação (vários estudos demonstram esta realidade) destas caraterísticas no desempenho académico dos alunos, o que se concretiza no atingir do sucesso académico por parte destes. A motivação é, então, fundamental e deve estar sempre presente. É o aspeto dinâmico do agir e carateriza-se por uma “espécie” de energia que leva a um esforço para atingir determinado objetivo, através de uma escolha seletiva e atenta das informações e dados relevantes, e à organização de uma sequência lógica de estratégias que levam à ação, não desistindo dessa ação até que as metas definidas inicialmente não sejam atingidas. Então, motivar em educação consiste na criação da necessidade da aprendizagem e da ação. É fazer com que os alunos encontrem por si mesmos motivos para aprender, para se aperfeiçoarem, para se descobrirem, para desenvolverem e rentabilizarem as suas potencialidades e capacidades. Esta motivação vai sendo estimulada pela curiosidade e interesse, pela busca da mestria e da competência, pela preferência pelas tarefas desafiadoras, pelo sentimento de satisfação consigo próprio (autoestima), pela expetativa de que é possível, através do esforço pessoal, realizar tarefas, concretizar objetivos e alcançar resultados (autoeficácia). Será, porventura, necessário centrar mais a atenção nestes aspetos motivacionais e criar condições para que estes surjam, procurando perceber o porquê de muitos alunos demonstrarem desmotivação face à aprendizagem e à escola. Há, portanto, lugar para o sucesso académico enquanto indicador de desempenho, completamente integrado no processo educativo global do aluno e que, por isso, não pode ser nem negligenciado e menosprezado, nem obsessivamente valorizado.
Marco Gomes, Director Pedagógico da APEL