A Autonomia política, reconhecida na Constituição da República aos Arquipélagos da Madeira e dos Açores, corresponde ao instrumento mais adequado para a nossa integração e relacionamento com a Comunidade Nacional. Nestas primeiras décadas de Autonomia, imprimimos naturalmente ao nosso relacionamento com a República, um cunho vincadamente reivindicativo no quadro duma dialética de natureza conflitual, confrontacional que deu mesmo origem à expressão contencioso das autonomias. Foi uma estratégia com inegável sucesso: - Ampliámos os poderes autonómicos com as sucessivas revisões constitucionais; - Conseguimos que a República fosse mais solidária no plano financeiro, de que é expressão, por exemplo, a criação pela lei de Finanças Regionais dum Fundo de Coesão Nacional; - Afirmámos o PSD/M como o Partido da Autonomia fazendo da República uma espécie de adversário que nos trouxe inegáveis vantagens no plano político. Éramos Governo no plano interno e simultaneamente fazíamos oposição à República; Mas hoje, passados cerca de 40 anos, este modelo de relacionamento predominantemente assente numa lógica conflitual, contenciosa e confrontacional, é imperioso reconhece-lo, virou mero ruido e gritaria à qual a República faz orelhas moucas. Há também aqui que inovar e mudar o paradigma. REFORÇAR e APROFUNDAR a Autonomia tem de continuar a ser o grande objetivo, mas agora no quadro dum relacionamento com a República absolutamente diferente. Proponho uma PARCERIA ESTRATÉGICA com a República. Esta, nos tempos de verdadeira emergência económica, financeira e social em que vivemos, não pode ser vista como adversária, mas antes como parceira na solução dos nossos graves problemas. Urge substituir a lógica conflitual por uma lógica de cooperação, de parceria, de diálogo franco, aberto, de olhos nos olhos, consubstanciado na defesa firme dos interesses da Madeira e Porto Santo. Em suma, uma lógica de INFLUÊNCIA que permita o encontrar de soluções em assuntos da mais crucial importância para o futuro da RAM como sejam: - A competitividade fiscal e o futuro do Centro Internacional de Negócios da Madeira; - Renegociação do Plano de Ajustamento Económico e Financeiro(PAEF); - Lei de Finanças Regionais; - Apoio às reformas estruturais (Saúde, Educação, Administração Pública…) - Relação com a União Europeia. O aprofundamento da autonomia é um processo sempre em aberto, sem destino previamente fixado, sem temas que sejam tabu. Tudo deve ser objeto de debate e discussão tendo em vista encontrarmos os melhores caminhos para o futuro. A minha visão, que fique bem claro, vai no sentido de olharmos para a consolidação e aprofundamento da autonomia, como a forma adequada para nos sentirmos cada vez mais confortáveis no seio da Comunidade Nacional, no âmbito duma lógica de integração e não de separação. E para prosseguir, nos tempos de hoje, este caminho, a referida PARCERIA ESTRATÉGICA parece-me absolutamente necessária. Constitui o terceiro pilar do Pacto de Confiança, que enquanto candidato à liderança do PSD/M proponho aos Madeirenses e Portosantenses.

Sérgio Marques Candidato a líder do PSD-M