Juvenal Caldeira Parece-nos quase impossível imaginar que num passado não muito distante, muitas famílias viviam em habitações com pouco mais de vinte metros quadrados. Nesses tempos as regras de construção eram poucas, mas desse modo permitia que quase todos tivessem casa própria.Os tempos também não era fáceis, mas olho em meu redor e vejo muitas casas já se degradando, mas que serviram o seu propósito. Que nos sirva de lição, muitas dessas casas também foram erguidas com muito suor .Num tempo que não havia empregos e nem todos emigraram, acho que foi um feito Hercúleo erguer essas pobres habitações com ganhos do sector agrícola. Uma vida comparada a uma escravidão. Se ver-mos que tudo era executado pela força braçal e pela resistência das pernas. Dos longínquos carreiros acidentados e vertiginosos saiam os produtos agrícolas que rendiam alguns tostões. As casas dos pobres cresciam todos os anos, ou nos melhores anos agrícolas. Nem sempre a casa crescia ao mesmo ritmo que a família crescia, e normalmente atingia o auge já quando quase não era necessário. Ainda me lembro de meus familiares, no ano em que vendiam uma rês, uns molhos de vimes, recebiam o dinheiro daquela toalha que levara uma eternidade a bordar, e para rematar vendiam umas sacas de feijão seco, (ainda que no resto do ano ele fosse escasso na panela) com tudo isso davam um conserto na casa. Acho benéfico a existência de regras na construção. Mas o facto é que temos regulamentos tão bons como aos doas países ricos, mas temos rendimentos como aqueles que ainda estão em vias de desenvolvimento. As casa de hoje tem que cumprir uma serie de requisitos, que quando alguém pensa que tem o dinheiro suficiente, não tem para a metade. Para não falar na morosidade na aprovação dos projectos. Pior ainda se o terreno se situar próximo da costa, confinar com um ribeiro e com uma estrada regional. Aí sim o projecto farta-se de passear pelas várias entidades, fartando assim a vontade e a paciência de quem pretende construir o seu ninho.