Dois factos marcaram os últimos tempos: 1. O Campeonato do Mundo de futebol;
2. A contagem decrescente para os alunos do secundário saberem os resultados dos famigerados exames.
Altura, portanto, de grandes expectativas e, por vezes, de enormes frustrações.
Nada de novo, quando se tem da vida uma visão de “oito ou de oitenta”, quando os sonhos passam automaticamente a expetativas, sem que se tenha em conta as reais capacidades e potencialidades dos indivíduos, das equipas e das organizações. Sem que se tenha definido objectivos claros e feito um planeamento passível de ser controlado.
No fundo, sem que se tenha utilizado, ao nível da macro e da micro gestão, o conhecimento e os meios hoje existentes para tomar decisões adequadas, fruto de um permanente processo de diagnóstico, prescrição e controlo.
Há que saber definir cenários e, para cada um, equacionar que condições são necessárias para os concretizar. É muito provável que cheguemos à conclusão que, para muitos deles, apesar de eventualmente serem os mais desejados, ainda não existem condições, nem é possível criá-las em tempo útil, e por isso terão de ser preteridos, temporária ou definitivamente.
Para que exista evolução é necessário trabalhar nos limites, ter objectivos ambiciosos e não ficar permanentemente na nossa zona de conforto.
É necessário correr riscos, não ter medo de experimentar e assumir que é perfeitamente natural que por vezes não consigamos alcançar os objectivos a que nos propusemos. Mas para que isto venha a ser uma realidade temos de ter um outro processo pedagógico, uma outra escola, um outro desporto.
Será que aqueles que estiveram implicados no processo de preparação da nossa selecção para o campeonato do mundo e os alunos, pais, professores, escolas, ministério, etc.
implicados no processo de exames e de acesso ao ensino superior fizeram o que estava ao seu alcance para que existisse sucesso?
Mas o que é ter sucesso? É ganhar o mundial? Ter uma nota elevada? Entrar na universidade? Será isto o mais importante na vida das pessoas e das sociedades? Ajudará a melhorar a qualidade de vida individual e colectiva no curto, médio e longo prazo? Que projetos de vida? Tudo dependerá da capacidade e competência não só para aproveitar as oportunidades que surgem depois dos sucessos (ou insucessos), mas essencialmente da capacidade de ter uma visão prospectiva tendo em conta os processos e as suas interdependências, ou seja, que não trate pontualmente e casuisticamente cada evento e momento da vida das pessoas.
Entretanto podemos continuar comodamente na expectativa de que nos saia o Euromilhões mesmo sem registar o boletim.
Hélder Lopes