Espero que no feriado da autonomia da Madeira, a meteorologia seja simpática para o veraneio da praia ou da serra. As comemorações do Dia da Região, num figurino anacrónico e desquitado dos madeirenses, pouco acrescentam a quem paga tudo mais caro, numa terra portuguesa rodeada de mar a mais de mil quilómetros do centro de decisão do País. Temos um Parlamento e um Estatuto que apesar de não impedir as agruras da maioria dos madeirenses, provém mordomias para poucos, advindas da replicação dum estado dentro de outro. Há dias soubemos que pelo custo de meio milhão de euros, somos credores do Reino e do governo central em oito mil milhões! Despesistas nós, que fazemos Portugal no Atlântico ultraperiférico? Que agregamos área dum Portugal imenso, feito mais de oceano do que terra?

Que importância tem isso, quando os madeirenses e açorianos (ilhéus de costas voltadas), pagam solidariamente os devaneios de muito sector empresarial do Estado, como a Carris e outro poços profundos de passivos desbaratados? A autonomia madeirense padece de muito delírio que a maturação democrática da quimera autonómica, não conseguiu evitar. O ainda líder da governação madeirense, já excedeu o tempo de Salazar.

A fadiga atira-nos nos braços de qualquer caudilho de sorriso barato e artificial, e faz da sua própria alternância - que seria normal em latitudes maduras - um exercício enfadonho de guerrilha fratricida.

Apraz-me contudo observar algumas intenções que se desvelam por entre delfins acicatados, pelas várias candidaturas que se mostram por entre os vários “PSD’s”. Por outro lado, destila-se o cáustico fel da perseguição e expulsão de militantes, como foi o recente caso de Simplício Pestana, num jogo viciado, como de quem se julga perpétuo na redoma do seu mundo blindado e irreal.

Também observamos o pano de fundo nacional, no que à chamada “alternativa democrática” se refere. Há um ano atrás, demitia-se Vítor Gaspar e passado pouco tempo o (ir)revogável Paulo Portas. Quase todos ensaiávamos uma ladainha de que o governo estaria ferido de morte, enquanto Cavaco se recolhia nas Ilhas Selvagens depois de sugerir um bailado obscuro em torno duma ideia oca de “consenso”.

Hoje, o governo não está melhor e continua a somar derrotas por hostilizar constantemente a Constituição, mas a tal “alternativa” do PS de Seguro, está bem pior e pelos vistos, não se importa de piorar, pela simples birra em assumir a evidência, de que o desafio que António Costa encerra, traduz um indisfarçável entusiasmo e acolhimento entre a maioria dos socialistas e que embala muitos portugueses.

Na Madeira o impasse é mais agudo. O PS regional exibe-se com estrondo na actual Câmara do Funchal. É “aquilo”. Um ensaio deprimente da governação regional. Não já como coligação – um étimo de memória amarga – mas sobretudo como um amontoado de cúmplices, ancorados ao único poder que conheceram na vida. A autonomia precisa mesmo de ser saciada.

Donato Macedo