SACO AZUL, designa pequenas receitas eventuais que, devidamente controladas, permitem agilizar a Administração Pública. O significado do saco amarelo encontrá-lo-á no fim do texto.
Em julho de 1997, ocorreu uma entrega de dinheiro a dois assessores da Sr.ª Pres. da Câmara de Felgueiras, destinado a “fundo”, gerido pelos assessores e pela Sr.ª. Chamou-se-lhe saco azul. Revelaria, porém, contornos ilegais.
Uma denúncia levou a investigação da PJ. A 7/01/03 a Dr.ª Fátima foi detida para prestar declarações. A medida de coacção foi termo de identidade e residência. O juiz achou que não havia perigo de fuga e suspendia-lhe também o mandato. Fátima não achou piada à suspensão, nem o PS às investigações, o saco ficava preto e cheirava a escândalo. Rasgadas as cartas de amor, o namoro PS/Fatinha acabou. A Sr.ª tinha o povo consigo, não precisava do PS. Todos recordam Francisco Assis invectivado pela população, rendida à oratória da Sr.ª. Ressabiados e medíocres não queriam o bem-estar dos Felgueirenses, garantia-lhes a “santinha”. O MP não concordou com a medida decretada pelo juiz e recorreu para a Relação. A medida de coacção passou a prisão preventiva, a 4/05/2003. Entre a decisão do tribunal e a execução da ordem decorrem algumas horas. Um Belzebu segredou à indiciada que a prisão vinha a caminho. A Sr.ª. Dr.ª decidiu, num ápice, visitar o seu País Natal. O detalhe importante deste processo.
Os jornais ocuparam-se do tema. Fugiu, não fugiu? Resumo, na opinião de Maria José Morgado, aquilo que a Justiça pensava: uma indignidade. A cidadã, agora brasileira, estava-se nas tintas para a Justiça. Ela apenas fazia política e esgrimia, com a ajuda de juristas, a Lei em seu benefício. A grande amiga dos Felgueirenses vitimiza-se a partir do Brasil. Quem não a recorda, emocionada, na SIC, dizer que não fugira apenas quisera evitar ser amordaçada. Apela ao apoio popular. Teve-o. Vivia-se um tempo em Felgueiras que era DEUS no Céu e Fatinha na Terra. Os jornais trazem depoimentos de populares. Um diz: a Sr.ª está inocente, não acredito em nada do que dizem. Outro garante: fez muito por esta terra.
Roubar, todos roubam e há quem tenha roubado mais que ela e nada fez.
A 12/12/05, regressa a Portugal. Recandidatara-se a novo mandato. A investigação terminara, não podia mais influenciá-la. Fugir não era hipótese a considerar. O principal argumento é que ela não fugira, apenas não lhe tinham conseguido entregar, atempadamente, a ordem do Tribunal. Assim sendo qualquer juiz a libertaria. A, agora, candidata independente reafirmava, a um povo em êxtase, a sua inocência. Nos banhos de multidão, gritava em alto e bom som, vim para ficar. Respondiam-lhe: Fatinha, Fatinha, não a deixaremos fugir. Ganhou com maioria absoluta.
Em Fevereiro 2007, começa o julgamento do processo inicial. Os depoimentos dos arguidos revelam-se, juridicamente, inócuos. As acusações mútuas entre arguidos foram, contudo, civicamente, relevantes. Toda a gente ficou convencida de que ali houvera “coisa”. Dos 23 crimes iniciais restavam, por prescrições e outras causas, 3. A 1/07/12 ficou, juridicamente, provada, a sempre apregoada, inocência da Sr.ª. Não acontecera corrupção. Foi Presidente até ao fim do mandato.
Candidatou-se e perdeu as eleições seguintes. Os Juízes Políticos, muito mais sábios do que os de Direito - com as minhas desculpas aos Meritíssimos - deram o tratamento merecido a quem a todos enganara durante muito tempo. Lincoln tinha razão não se pode enganar todos todo o tempo. Eis como um saco azul fica amarelo pelo tempo decorrido e pela cor do sorriso da “condenada” perante o veredicto popular.
Guadêncio Figueira