Mariana Ferreira Na semana passada, num artigo de opinião no JM, um ex-secretário regional afirmou categoricamente (no seu habitual estilo rococó) que não poderia haver democracia sem partidos. Compreendo que ele pense assim, tendo prosperado tanto sob a sombra da laranjeira. Prefiro acreditar que não é possível haver partidos sem democracia, mas que é possível haver democracia sem partidos. Numa sociedade de homens e mulheres esclarecidos e justos, os nossos representantes seriam eleitos ao nível das freguesias (de entre os nossos vizinhos) pelo aquilo que representavam enquanto pessoas e não enquanto representantes de uma máquina partidária qualquer. Então, as assembleias das freguesias elegeriam -- de entre esses eleitos directos – seus representantes para as assembleias municipais e, desses, representantes para a assembleia regional e, finalmente, representantes para a AR.

Desse modo, não haveria um único deputado na assembleia que não tivesse sido eleito directamente pelo povo. Seria o fim das listas partidárias, os candidatos apresentados em pacote – se quiseres um bom, vais ter que levar dois ou três podres; seria o fim dos Ramos, Sousas, Pereiras e companhia, que entram sorrateiramente nas assembleias através das listas.

Nunca votei no Jaime Ramos, e não conheço ninguém que alguma vez votou ou sonhou votar nesse senhor.