Análise breve ao resultado das eleições europeias: ganhou o BNA (Branco, Nulo, Abstenção). A 26 de Maio foi dado o tiro de partida para as eleições Legislativas e Regionais de 2015. O PS foi o primeiro partido a reagir: na sequência da “estrondosa vitória” do Assíduo Assis, estalou a guerra intestina. A Coligação PSD/CDS respirou durante algum tempo, por via do balão de oxigénio duma “derrota honrosa”, mas o crivo justiceiro do Tribunal Constitucional encarregou-se de fazer regressar a asfixia. Mais cortes se anunciam, e há já quem alvitre que o Governo está ferido de morte. A Cavaco Silva, recém-chegado dum banho de democracia e direitos humanos na China, compete agora decidir – e sabe-se a aversão que tem a este verbo – se ainda há condições para manter o Governo. A antecipação das eleições revelaria que em Belém afinal não está um pastel, e tinha o condão de apanhar o PS desprevenido e em crise de liderança. Será desta que a “múmia sai do sarcófago”? Na Região o panorama não é mais animador. No PSD até ao lavar dos cestos muitos continuarão a vindimar. Das três candidaturas que são para levar a sério, há uma que tem vindo a ganhar força – a de Cunha e Silva, mas já lá vamos. Miguel Albuquerque perdeu fulgor: para além duma cada vez menor exposição mediática, tem sido prejudicado pela mensagem, inteligente e insistentemente repetida entre os militantes, de que foi ele o principal responsável pelo descalabro do partido nas últimas autárquicas. Sérgio Marques, o mais capaz de gerar consensos e construir pontes com os restantes partidos, optou por uma campanha construtiva, com propostas sérias e inovadoras, primando pela urbanidade e evitando os ataques pessoais. Traduzindo em miúdos, não tem hipóteses… Temos então Cunha e Silva como o muito provável vencedor, e não haja dúvida que tem feito pela vida. Começou por resgatar um dos símbolos da campanha autárquica (o chamado sorriso Cafôfo), que aplicou convictamente na sua nova imagem de marca – o Vice Amável. A temível máquina partidária do PSD trabalha agora a todo o gás, e é vê-lo em todo o tipo de eventos, sempre rodeado por entusiásticos apoiantes. Corre o boato de que há ameaças veladas na função pública para quem não comparecer a estes piedosos actos, será verdade? A não ser que os restantes candidatos se unam e consigam inverter esta tendência, temo que o sucessor está encontrado. Perante este cenário, o que faz a oposição: procura a unidade? Só se for a união na diversidade! No PS anda tudo às turras: Freitas apoia Seguro, Pereira apoia Costa, ninguém apoia Cafôfo (que não é do PS, é independente), no Porto Santo a poia cresce, na Juventude apoia-se a batota, enfim…tudo em nome da unidade do partido! Mais literais são as turras no PND – os defensores de Canha alegam que este deu uma bofetada de luva branca ao Presidente da Câmara; os defensores de Baltazar afirmam que este é um herói porque pediu desculpa, mesmo passando da bofetada ao soco; os defensores de Welsh sustentam que ele já está habituado a “levar porrada”…sempre em nome da unidade do partido. O PTP quase não merece comentários – José Manuel Coelho mantém um eleitorado fiel que não é negligenciável, mas é aquilo…e não passa daquilo. BE e PCP mantêm-se mais ou menos firmes no seu espaço (mais este que aquele, que lá vai cedendo à erosão), e o Livre teve o condão de ainda baralhar mais as coisas, apesar de liderado na Região pelo Rei do Facebook e das Cartas de Leitor. Tudo em nome da unidade da esquerda… Depois há o mistério PAN: não me consta que defenda os animais e a natureza, e se o faz duvido que alguém se aperceba disso – o senhor do PAN é tão cinzento, tão soporífero, tão irrelevante, que é espantoso como continua a haver quem nele vote. Será esse o genuíno voto de protesto contra os partidos tradicionais. “Estou tão desapontado com os homens, que prefiro votar numa anémona?”. Finalmente - o CDS. Bem, muito poderia ser dito sobre o CDS, mas já não tenho espaço, por isso vou ficar por aqui…em nome da unidade do partido! E assim se constrói o futuro da Madeira…
Raul Ribeiro