Da semana que passa ficam sob suspeita todos aqueles que, entretidos com a intriga, com a ofensa pública e com a politiquice arruaceira provocam desencantos múltiplos e pior, a opção forçada por uma espécie de exílio.

O texto em anexo, da autoria de Eker Sommer, que me foi enviado ontem à noite, ilustra na perfeição quão nefasta pode ser a perseguição engendrada com fins políticos, assente na manipulação dos factos ou na acusação sem provas. Partilho-o com sua autorização, desagradado com a perda, que espero seja reversível, de uma colaboradora de qualidade no nosso espaço de opinião plural. Mas sobretudo revoltado com o poder do insulto, expediente onde se refugiam alguns eleitos de memória curta e os anónimos sem escrúpulos.

Que autarcas são estes que nem os seus munícipes conhecem?

Que governação é esta que em vez de solucionar problemas quase eternos, por um lado, é incapaz de pôr em prática alternativas sugeridas e por outro, procura freneticamente culpar os que se limitaram a exigir que se cumpram direitos consagrados?

Que gente voyeurista é esta, que para além de violadora da privacidade, se julga competente para dar palpites sobre as amizades a cultivar, para definir quem deve ser convidado para jantar na casa de cada um e até para estabelecer os parceiros ideais da vida conjugal?

Até prova ao contrário, confio sempre naqueles que me deram palavra de honra. E antecipando já o que podem ser algumas reacções e comentários, insinuações e suspeitas, recupero a convicção da família do jornalista etíope Eskinder Nega, condenado a 18 anos de cadeia por não abdicar do seu compromisso profissional: "alguém tem que se sacrificar para que haja justiça".

Até breve Eker!

Ricardo Miguel Oliveira