A Inglaterra tem debatido o valor da Música no Ensino Superior, tomando como referências o Ebacc (indicador de desempenho escolar vinculado ao Certificado Geral de Educação Secundária), a inscrição no sistema UCAS (Universities and Colleges Admissions Service), bem como na ausência da disciplina-curso no agrupamento Stem (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) e por fim de algo que a todos preocupa, da lista Russel (indicador de cursos e opções de carreira com empregabilidade e futuro). Se do ponto de vista da procura por parte de estudantes de todo o mundo, a relação é positiva, com matrículas ano após ano em instituições de grande prestígio como o Royal Academy of Music, Royal College of Music, Trinity Colllege ou Guildhall College, a questão tem sido colocada pelos próprios nacionais, no que se refere aos ingressos nos cursos de música de nível A. Nos últimos anos estes desceram para menos 10%, soando por isso os alarmes e o inevitável debate. Todos concordam que os formados em música demonstram capacidade de trabalho em equipa, análise ética do trabalho, empatia, inovação e um bom desempenho sob pressão, características que lhes permitem trabalhar noutras áreas, sem ser exclusivamente o palco e a orquestra. Salienta-se ainda que a música poderá ser redesenhada para servir muitos sectores da sociedade, acrescentando valor à comunidade. Porém, essa mudança terá de se construir ao longo de décadas. O que está em jogo neste momento é a perspetiva sobre o ensino superior, dominada que está pelas questões das propinas, empregabilidade e tabela de ranking das universidades e colégios ingleses. No imediato, para 2015, o que se prevê é a contínua perda de estudantes nas pós-graduações, como resultado de pressões financeiras ou cortes por parte do Ministério da Educação. Mas a questão da empregabilidade é sem dúvida, a central em torno desta discussão. Muitos dos estudantes trabalham a tempo parcial durante os cursos ou aceitam outros trabalhos que não envolvem a componente musical, para ajudar a pagar os cursos. Se é certo que no último ano por exemplo, os 25 finalistas do Royal Academy of Music conseguiram emprego na sua área, entre outras bem colocadas escolas, também o que consta é que nos cursos de Artes e Humanidades por toda a Inglaterra o problema para os estudantes começa no dia em que acabam os seus estudos. Cá como lá, não basta entrar num curso por interesse pessoal e intelectual ou pela formação numa área da qual se gosta. Um dos grupos de debate na Inglaterra, os Academics Anonymous, ressalva o facto dos empregos gerados pelas próprias universidades serem de curta duração, mal pagos e dependerem de fatores de ‘’sorte’’ e ‘’timing’’ para a sua concretização. Se estivessem em Portugal saberiam que os problemas são os mesmos mas a solução há muito que passa pela ‘’cunha’’ e que do futuro, ninguém ousa falar.

Vítor Sardinha Músico