Ouvi no rádio e não queria acreditar… Porque, socorrendo-me da sabedoria popular, aprendi que burro é quem erra duas vezes e achei que, nem que fosse por isso, haveria decoro na reposição de alguns dos absurdos que as contingências da intervenção externa nos obrigaram a acabar. A ser verdade, concluo que, efectivamente, construímos a sociedade que merecemos e que mais não podemos desejar que não seja colocar a nossa descendência (que a nós não caberá fechar a porta) a pagar estes desmandos. Porque será que se insiste nesta perspectiva de aumento da mesada mesmo que não tenhamos condições para isso? Não conseguimos, nós votantes, ultrapassar a lógica da rotunda à porta de casa e perceber que mais altos valores se levantam? Assegurada que parece estar, por unanimidade, a reposição do subsídio de insularidade mas só para funcionários públicos que este tratamento nunca é constitucionalmente discriminatório e, como está bom de perceber, o mar a toda a volta só é condicionante para quem trabalha na coisa pública, o que se segue? Ocorrem-me uma série de propostas… Gostava de receber um subsídio por ser de estatura baixa e estou a trabalhar, mais rapidamente do que pensava, por merecer uma compensação pelo facto de estar a ficar anafado. E aos calvos, grupo a que ainda não pertenço, propunha uma subvenção por cada pelo perdido! Moro no Funchal; será que dá alguma coisa? E se morar fora? Era mais do que justo pagarem-me alguma coisa por isso! Estupidez? Porquê, se a troika já foi embora? Eles agora só voltam, na pior das hipóteses, daqui a 20 anos e aí outros que tratem deles! Não foi o Sr. Governo legitimado pelo nosso voto a tratar de assegurar a perpetuação do nosso pequeno interesse, do nosso feudozinho e da nossa corporação? Reforma do Estado, claro que sim! Mas só para o que não toca no que é meu, ora-me que essa! Pior é pensar que, ao mesmo tempo, PPP’s (uso a sigla para poupar caracteres); 11 câmaras; parlamento com não sei quantos deputados; porto mais caro da Europa; nisso tudo não se mexe…
André Barreto Empresário