Conceição Pereira Para uns austeridade, para outros o luxo e bem estar. Que a crise não é para todos, nunca foi, já o sabemos desde sempre. Mas estão sempre a vir a lume mais uns rabinhos de fora, mais umas mordomias, mais uns luxos, que desconhecíamos. Hoje li no DN que os governantes madeirenses e seus assessores, mesmo sem cobertura legal, nunca dispensaram as ajudas de custo nas deslocações e os hotéis de luxo, apesar de nos atirarem todos os dias com a crise que o Governo da República nos impõe. E mais, no momento em que os funcionários públicos estão depauperados devido aos cortes, taxas e todas as maningâncias que os governantes se lembraram e impuseram com a desculpa da crise, o governo regional prepara-se para aprovar legislação que lhes permita continuar a usufruir das ajudas de custo nas deslocações para os governantes regionais, isto porque o Tribunal de Contas detectou a ilegalidade, mas rejeita que os funcionários públicos sejam novamente beneficiados pelo subsídio de insularidade que lhes foi “roubado” por conta da tal crise. Há crise, austeridade, mas não pode atingir a cúpula que se acha acima do comum dos mortais. Quando eu era criança fazíamos um jogo em que, a dado passo, o “mestre do jogo” dizia o seguinte aos outros jogadores: Andorinhas pela serra Andorinhas pelo mar Sete cabaças de m.... Para o primeiro que falar Menos eu que sou juiz E minha mãe é padeira Posso falar à hora que eu quiser Mas isto tratava-se de um jogo de crianças, que não tinha outras consequências, além do divertimento infantil. Mas no caso dos luxos e subsídios de governantes é dinheiro arrancado ao erário público para a “casta” instalada no poder. E para os restantes mortais, atira-se-lhes para cima com sete cabaças de m....