Já se respira o Mundial! No Brasil vão estar Ronaldo, Messi, Neymar e os 200 milhões que por lá residem habitualmente. Quando o Brasil recebeu a notícia que iria ser o palco do campeonato do mundo uma das maiores expectativas seria que o evento poderia impulsionar a economia. As entidades governamentais apregoaram os grandes benefícios para a nação (onde será que já ouvimos isto?) e o povo, numa primeira fase, até se sentiu satisfeito por receber a competição. À semelhança de outros eventos da mesma natureza, as promessas iniciais de grandes obras e infraestruturas para o país foram caindo por terra e, grande parte da fatia do investimento foi aplicada em estádios. À medida que foram sendo divulgados o valores do investimento, o descontentamento da população (que percebeu que o dinheiro seria melhor aplicado em áreas como saúde, educação ou transportes) aumentou exponencialmente dando origem à instabilidade social que se conhece. Sou apreciador de futebol, mas não de se vender a ideia que um mega evento vai resolver os problemas económicos de um país. É certo que alguns setores, como é o caso do turismo, serão beneficiados e que serão gerados empregos temporários. Todavia, vários estudos demonstram que o impacto geral de um evento desta natureza não é expressivo. Foi assim a quando do Euro 2004 e, todas previsões apontam no mesmo sentido para este mundial. Os projetos que realmente eram importantes para a sociedade depois do evento não se materializaram e no fim ficarão os estádios que, como se percebeu pela experiência portuguesa, têm elevados custos de manutenção e dificilmente serão rentabilizados pela realização de eventos pontuais. Apesar das casas de apostas colocarem o Brasil entre os favoritos para vencer a competição, nas ruas a aposta é que as “exibições económicas” do país não passarão de medíocres.

Pedro Nunes Economista