Conheço muito bem o Porto Santo e as suas gentes. Tanto eu como o meu irmão criamos inúmeras amizades no Porto Santo, algumas desde a infância, pois visito com regularidade aquela belíssima Ilha Dourada há mais de 53 anos, quando os moinhos de vento ainda trabalhavam, o trigo era semeado, os barcos de carreira rudimentares cruzavam a Travessa, a fábrica das Águas do Porto Santo laborava em pleno, a fábrica de conservas do Penedo garantia o escoamento do pescado e a venda do Senhor Pedro era a principal unidade de abastecimento na zona das Pedras Pretas… Outros Tempos…, indiscutivelmente, de maiores dificuldades e de maiores constrangimentos para as famílias portosantenses que, por vezes, em alturas de temporal, viviam dias e dias de isolamento, com rupturas frequentes de abastecimento. À sobriedade do consumo aliava-se o trabalho duro; da exiguidade dos meios disponíveis emergia a solidariedade familiar; das dificuldades do dia a dia surgia, sempre, mas sempre, uma dignidade e uma coragem singular, que sempre admirei nos meus amigos portosantenses. O Porto Santo de hoje nada tem a ver com o Porto Santo do passado em termos de desenvolvimento infraestrutural, económico, social, educacional e cultural. Felizmente, e com toda a justiça, após a implantação da Autonomia, a Ilha foi objecto de importantíssimos investimentos públicos – e também privados – que elevaram o nível de vida das famílias. Todavia, na actualidade, a verdade é que o Porto Santo foi duramente atingido pela crise económica em que o País mergulhou, pelas aflitivas restrições orçamentais públicas, e por um desemprego elevado que trás às famílias um grande sofrimento. Para romper com esta situação, precisamos de apostar num novo ciclo de desenvolvimento económico sustentável, que deve ter por base dois vectores essenciais, intimamente interligados: Promoção e Acessibilidades. O Porto Santo é uma Ilha belíssima que necessita urgentemente de uma forte estratégia de promoção; (hoje sabemos que o que não é divulgado não existe). Por outro lado, a promoção não serve para nada se não existirem transportes frequentes e baratos. De resto o Porto Santo tem todas as condições para ser um caso de sucesso. Segurança, beleza paisagística, fantástica praia (a mais bonita do País) e características terapêuticas das areias, boas infraestruturas hoteleiras de 4 e 5 estrelas (1700 camas), golfe e um grande potencial para desportos náuticos, pesca desportiva e mergulho, passeios equestres, passeios de montanha, serviços de Wellness e Thalassoterapia, (com crescente procura a nível mundial), potenciar o turismo residencial de alto rendimento. Mais: uma população com bom nível de educação, simpática e hospitaleira; os melhores solos de Portugal para a produção de hortícolas em contra ciclo (reorganização produtiva e comercial a nível de novos empresários associados); idem para as fruteiras tradicionais de sabor único em recuperação; (Figueira do Porto Santo, Pero do Porto Santo, Amoreira, Pera do Porto Santo), idem para pequenas industrias Gourmet- Ex: flor de sal (excelentes condições): grande potencial cinegético a desenvolver e efeitos multiplicadores turísticos em época baixa; reintrodução de pequenas indústrias turísticas - Ex: (roteiro da cal através de uma ou duas réplicas dos barcos de carreira; apoio a empresas locais certificadas de Mountain Bike); criação de um grande parque agrícola; reintrodução e plantio de uma das castas tradicionais mais raras e mais procuradas – “listrão”; revitalizar a etnografia de qualidade; organizar e planear eventos lúdico-desportivos atractivos para o turismo (short breaks). O Porto Santo, com a estratégia correcta, tem todas as condições para enfrentar com sucesso o novo ciclo que se avizinha.
Miguel Albuquerque Candidato a líder do PSD-M