As lutas fratricidas pelas direcções dos partidos, sobretudo no chamado arco da governação, não são coisa recente. Tudo como antes no quartel-general de Abrantes.

Não é de hoje a facadinha nas costas, a conspiraçãozinha, os anos de espera em silêncio para atacar uma oportunidade. Há de tudo, desde a tomada de assalto à falsa fé, assim tipo OPA hostil, à luta nas trincheiras, com grandes jogadas psicológicas e de desestabilização do adversário, até à batalha da terra queimada, do deixar arder, atiçar o lume, e depois aparecer, qual salvador da pátria, a dizer que comigo isto não teria acontecido. Alguns combinam isto tudo e mais alguma coisa.

Fica para a história o caso Paulo Portas/ Manuel Monteiro (CDS). Menezes/ Marques Mendes (PSD), Sampaio/ Guterres (PS).

Na hora de ir à luta, os partidos vão com tudo. E o povo vê, observa assim como quem vê uma novela, que sempre é mais animado que os debates quinzenais no parlamento, que nem em canal aberto conquistam o povo.

O povo assiste, como a um combate de wrestling, em que já se vai conseguindo mais ou menos antecipar o que vai acontecer, mas mesmo assim se vibra com o enredo. O povo atenta, é verdade. Mas não digam, por favor, não digam que é o povo que os move. Que é a tristeza de saber que é preciso impedir que um líder fraco e raquítico chegue a primeiro-ministro ou a outra função qualquer (bem, não seria o primeiro) que os levam a combate. Não é. Chama-se supremo interesse pessoal, às vezes partidário, e é tão válido como qualquer outro, não é preciso vergonhas em assumi-lo.

O povo gosta de uma boa luta, mas não é parvo. Percebe e faz raciocínios deste género: “Se esfrangalham amigos na praça pública, o que farão ao cidadão quando estiverem no poder?”. Mas claro que quem ainda na luta, não vê nada disso, a trincheira da política dá uma visão enviesada do Mundo.

Sandra Cardoso