Deu-me muito trabalho e gastei muita energia a produzir a decisão de não ir votar, mas não consegui ser capaz de ir. Por acreditar na democracia, sempre votei num partido ou noutro, a maioria das vezes mais por “obrigação” do que por devoção, normalmente no contrapoder, pois sou inimigo de maiorias arrogantes prepotentes como aquela a que de momento estamos sujeitos. Relativamente à Europa, julgo estarmos perante uma gigantesca mistificação que custa fortunas aos contribuintes, com um exército de burocratas pagos a peso de ouro, cuja principal função é produzir resmas de leis tão inócuas como placebos (não vá alguma delas porventura beliscar algum dos interesses sagrados instalados). Não haja ilusões, pois mesmo que se consiga produzir alguma legislação que vá ao encontro das pessoas, logo vem a Sra. Merkel dizer como é, ou melhor, como não será. Esta Europa não é a de John Monet e de Jaques Delors, esta Europa é a de Merkel e de Durão Barroso, não promove o bem-estar social, não prossegue o desenvolvimento e a harmonização entre os países, pelo contrário, impõe aos mais débeis a vontade dos mais fortes, para que a situação se mantenha. Não pretende criar, mas destruir o estado social. Esta União Europeia tem servido sobretudo para ajudar a Alemanha a conseguir finalmente o objetivo de sempre, o de governar a Europa, perdoada a dívida da 2ª guerra mundial e paga que está a reunificação alemã. Relativamente aos candidatos, de poucos ouvi ideias sobre a forma de defender os nossos interesses, ou um plano de ação. De um modo geral, optaram-se por se esgotar em ataques aos outros partidos, com os olhos postos exclusivamente na mesquinha aritmética eleitoral. Vergonhosas foram as atuações de Paulo Rangel, que de tudo se serviu para se vitimizar e passar as culpas, bem como as do PC, que, com um governo de direita radical como o que temos, escolheu o PS para bombo da festa. Os partidos continuam a impingir-nos candidatos imberbes, que não deram provas de coisa nenhuma, pessoas sem passado nem ofício e que não se percebe porque “cargas de água” se atrevem a pretender representar-nos. A Europa cada vez mais diz menos às pessoas, cada vez o sentido de pertença é menor, Não há uma Europa dos cidadãos, mas somente uma Europa da finança, o main stream pantanoso social-democrata ou popular já não convence ninguém e as pessoas tendem a preferir os extremos, pois o centro, a sua “zona de conforto” natural, deixou de ser confortável. Receio que, no futuro, as coisas passem a ser mais à bruta. Câmara do Funchal Passados quase 40 anos de domínio na Câmara do Funchal, fruto da decadência do PPD-M, surgiu uma alternativa que congregou todas as esperanças de mudança e por isso venceu as eleições. Era de uma importância decisiva que esta alternativa tivesse vingado, sobre tudo provar que a derrota do PPD não era o fim do mundo, sobretudo para mostrar às pessoas que há uma outra forma de fazer as coisas e que é possível a convivência democrática. Esta alternativa, mesmo se tratando de um “albergue espanhol” tinha de correr bem, não podiam, não tinham o direito de falhar, as pessoas tinham inevitavelmente de ser maiores do que as suas diferenças. O PS, por exemplo, rapidamente não resistiu à tentação de colocar de imediato os seus boys. Alguém terá uma ideia de onde se já viu isto? O PPD já nos habituou às suas hábeis manobras, de jogar simultaneamente nos vários tabuleiros, tendo planos B e C, preparados para o caso do A falhar. Não quero efabular nem desenvolver teorias da conspiração, mas a situação atual traz-me à memória uma outra situação por mim vivida no contexto duma eleição para a Direção do Sindicato dos Professores, onde Alberto João Jardim, por meias palavras referiu o apoio dado à lista vencedora, sem que tal atitude desse origem a um veemente desmentido e demarcação que no meu entender seriam indispensáveis. Diz o ditado que quem não tem cão caça com gato. Como o PPD visivelmente não teve cão, será que arranjou algum gato?
Helder Melim