A conflitualidade está a minar a política regional e a prejudicar, sériamente, a resolução dos problemas da Madeira e do Porto Santo. O clima de ódio, raiva e rancor que muitos cultivaram durante anos em relação aos adversários políticos está hoje instalado no interior de alguns partidos e coligações. Veja-se o que se passa no PSD, no PS, no MPT, na Coligação Mudança, na Câmara do Funchal e na Câmara do Porto Santo. Ninguém se entende. Já não é somente a mera disputa pelo poder, natural em Democracia. Estamos já no plano pessoal, com insultos e mesmo agressões. Nos últimos anos, alertei várias vezes para os malefícios dessa divisão de madeirenses entre bons e maus, conforme a sua orientação política, ideia profusamente alimentada pelo PSD. Assim como também não acompanhei as oposições radicais que preconizavam a política de “terra queimada” e do “bota abaixo” permanente contra a governação regional. Eu e o CDS fomos muito criticados pela moderação e sensatez com que sempre fizemos e fazemos política. Os que nos criticaram e cultivaram a guerrilha estão hoje a pagar um preço alto nas disputas internas dos seus partidos e das coligações a que aderiram. Não me sinto satisfeito por ter razão antes do tempo. Antes pelo contrário. Lamento o que se está a passar pois, em última instância, esta situação prejudica a resolução dos problemas das pessoas e os compromissos necessários às negociações entre a Região e a República. Além disso, estes casos lançam o descrédito sobre a política e os políticos como agora se viu na abstenção e nos votos brancos e nulos nas eleições europeias. O CDS, que desde a primeira hora chamou a atenção para esta degradação da política regional e que sempre foi um referencial de estabilidade, tem toda a legitimidade e obrigação, como principal partido da oposição, para se afirmar como Alternativa credível, confiável e competente à governação da Madeira e a esta realidade política. O nosso trabalho no Parlamento da Madeira, com propostas e soluções, as nossas posições corajosas na Assembleia da República na defesa dos interesses regionais; a nossa postura responsável na Câmara do Funchal; a excelente governação na Câmara de Santana; a boa gestão das quatro juntas de freguesia que ganhámos; as posições sensatas dos nossos autarcas no poder local dão toda a legitimidade ao CDS para construir uma verdadeira Alternativa Política de Mudança com Segurança, em conjunto com personalidades independentes e com a sociedade madeirense. Este é o nosso caminho.
José Manuel Rodrigues Presidente do CDS-PP/M