Duarte Olim Nunca percebi muito bem, mas estando ou não desapontado com os partidos ditos, do arco da governação, parece-me a mim que o avanço de António Costa para a liderança do PS, só peca por tardio. O resultado eleitoral das europeias, em condições extremamente favoráveis ao PS, foi exemplificativo do que vale Seguro. Quem duvida, ausculte as pessoas na rua. Depois faça-o com a população de Lisboa, relativamente a Costa. Disputas partidárias à parte, Portugal precisa de alguém com liderança, que mobilize as pessoas, alguém que agregue sectores da esquerda e da direita, alguém que, como Costa, até foi capaz de reduzir para cerca de metade, as freguesias de Lisboa, numa espécie de ensaio para a reforma administrativa que é imperioso fazer no país, e que os partidos políticos não colocam na agenda. Não interessa! Chamar António Costa de oportunista pode até soar a verdadeiro, mas numa análise mais lúcida, pergunto: qual foi o oportunismo de Seguro quando, com o país num estertor, Sócrates andava a aplicar pacotes de austeridade, um após outro, enquanto o carreirista político ia recolhendo apoios, confortavelmente, para desferir a machadada final? O interesse nacional deve estar acima de qualquer trica partidária. Noutro sentido, é estranho ver dirigentes das cúpulas do PS a criticar as políticas da austeridade e, simultaneamente, defendendo a permanência de Portugal no euro, ou relevando inércia quanto aos malefícios do Tratado Orçamental. Bom, a mim, na minha ignorância, parece-me incompatível querer-se manter no euro e não se estar consciente que essa permanência tem um custo elevado, do qual dificilmente nos dissociaremos: a austeridade! PSD na oposição opor-se-á a qualquer política de austeridade a ser previsivelmente implementada por um novo governo PS. E continuar-se-á neste forrobodó. Coerência na política? Alguém sabe o que é?